- Rafael Lobo, cineasta brasiliense, teve Mapas premiado com cinco troféus no Cine PE — Festival Audiovisual, em Pernambuco.
- Premiações incluem prêmio especial do público, melhor edição de som, melhor montagem, melhor fotografia e melhor ator.
- Mapas é o longa de estreia do diretor, que usa o horror para refletir sobre o horror político e Brasília, com cenas na UnB.
- O filme foi financiado com R$ 1,75 milhão do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), via edital de 2018 pago em 2022.
- Sem data de lançamento anunciada, Mapas foca em festivais, com pretensões de participação internacional; referências incluem o cinema de David Cronenberg.
Na edição recente do Cine PE — Festival Audiovisual, o filme Mapas, dirigido pelo brasiliense Rafael Lobo, consolidou a presença do Distrito Federal em Pernambuco ao vencer cinco prêmios na mostra. O longa levou o prêmio especial do público, além de reconhecimentos para edição de som, montagem, fotografia e atuação.
Rafael Lobo, 41 anos, morou por 35 anos em Brasília e hoje reside em São Paulo. Em Mapas, o diretor mantém ligações com a cidade, incluindo referências ao Plano Piloto, Park Way, Guará e à UnB, onde o enredo também dialoga com o meio acadêmico. O cineasta explicou ao Correio que, mesmo com abordagem de horror, o filme traz um olhar sobre Brasília de forma metalinguística.
O financiamento veio de R$ 1,75 milhão do Fundo de Apoio à Cultura (FAC-DF), obtido em edital de 2018 e pago em 2022, o que viabilizou a produção. Lobo descreve Mapas como um filme de horror que não se apresenta apenas como terror, mas como reflexão sobre o horror social e político, utilizando convenções do gênero para abordar temas contemporâneos.
Na trama, um desaparecimento impulsiona a narrativa, que mescla imagens marcantes das ruínas da UnB com referências a personalidades locais como o cineasta Vladimir Carvalho. O filme inclui memória de época associada à construção arquitetada por Sérgio Bernardes durante o governo Geisel, destacando a descontinuidade de verbas públicas e o impacto histórico na redemocratização do país.
Mapas e a visão de mundo do diretor
A obra enfatiza uma leitura do horror como reflexo de crises sociais, especialmente relacionadas ao capitalismo e aos desafios políticos recentes. Rafael Lobo aponta que o interesse pelo gênero vem de uma leitura cultural da conjuntura atual, ampliando o espaço para produções nacionais que exploram temas de spectro e corporeidade no cinema.
Premiação recebida no Cine PE deve estimular a circulação de Mapas em festivais nacionais e internacionais, conforme o próprio diretor. Sem previsão de lançamento, o filme busca consolidar um circuito de exibição a partir de mostras e negociações com programadores, mantendo o foco na circulação de obras brasileiras de autor.
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