- O filme Backrooms mostra um arquiteto que descobre um labirinto de salas vazias, conectando o medo da Geração Z com a vida online e espaços misteriosos.
- Estreou com US$ 81 milhões nos EUA e Canadá, e o público era majoritariamente jovem: cerca de 86% tinham menos de 35 anos, e 44% tinham menos de 21.
- O diretor Kane Parsons tem 20 anos e foi contratado pela A24 para dirigir o longa; ele saiu de um meme viral para cinema industrial.
- A obra levanta discussões sobre inteligência artificial, conteúdo digital e a sensação de estar em um ambiente repetitivo e controlado por algoritmos.
- O enredo associa trabalho e vida pessoal, mostrando jovens que trabalham como produtores de conteúdo e enfrentam um labirinto que reflete a ansiedade de uma geração acostumada a mediar tudo pela internet.
Na atual leva de terror, Backrooms emerge como sucesso de bilheteria que dialoga com a geração Z. O filme arrecadou cerca de US$ 81 milhões em seu fim de semana de estreia nos EUA e Canadá, com quase 86% do público tendo menos de 35 anos e 44% com menos de 21. A produção acompanha a trajetória de um arquiteto frustrado que vira vendedor de móveis e descobre um espaço invisível e mutante formado por salas vazias.
O enredo leva o espectador a um labirinto de ambientes liminares, onde a realidade se dobra entre o pessoal e o profissional. A narrativa coloca jovens trabalhadores em situações de ambiguidade, em que o destino parece já ter sido escrito por padrões de algoritmos e pela cultura digital que os cerca.
A direção fica a cargo de Kane Parsons, hoje com 20 anos, que nasceu na internet e desenvolveu um estilo marcado por videogames e memes. O filme marca a estreia de Parsons em longa-metragem após viralizar um curto inspirado em uma imagem de escritório dos anos 2000. O resultado levou à contratação pela produtora A24 para a produção de um longa completo.
Contexto e desdobramentos
A produção é analisada como resposta de Hollywood ao interesse de jovens espectadores por narrativas que dialogam com as subculturas da internet. A trama utiliza a ideia de espaço infinito que muda conforme o uso humano, conectando o conceito a debates sobre inteligência artificial e o consumo de conteúdos digitais. A estética recorre a cenas de repetição e a uma sensação de vigilância impessoal.
Especialistas destacam que o filme apela à experiência da geração que cresceu com plataformas de vídeo e com a vida online. Pesquisadores observam que o labirinto não é apenas literal, mas também metafórico, refletindo a sensação de caminhos estreitos diante de escolhas fornecidas por algoritmos. Os diálogos e elementos visuais reforçam esse clima de ambiguidade.
No Bojo da história, o trabalho em si aparece como parte essencial do pesadelo: o protagonista convive com uma loja repleta de paredes que parecem cenário doméstico, enquanto seus colaboradores aparecem mais como peças de apoio do que como protagonistas com aspirações. A narrativa sugere tensões entre autonomia individual e estruturas digitais que moldam possibilidades.
O desfecho permanece ambíguo, com o destino de um personagem principal sem resolução clara. A apreensão sobre se permanece no labirinto ou retorna ao mundo real é apresentada como parte da atmosfera perturbadora que marca o filme.
Entre na conversa da comunidade