- Ben Rivers recebeu uma carta de Don DeLillo em 2017, o que levou o cineasta a pedir autorização para adaptar The Word for Snow em Mare’s Nest.
- O filme acompanha Moon, uma garota de nove anos em um cenário pós-apocalíptico sem adultos, com a famosa passagem de The Word for Snow integrada a uma história maior.
- Mare’s Nest não é uma adaptação direta: traz também monólogo de Daisy Hildyard e trechos de Fernando Pessoa, e foi gravado em Menorca, Snowdonia e Londres.
- DeLillo aprovou o uso da obra e disse ter ficado impressionado com o resultado, segundo Rivers.
- A exibição de Mare’s Nest, com sessão de perguntas e respostas, ocorre no Curzon Bloomsbury às 18h de terça-feira, 16 de junho.
Ben Rivers, cineasta independente de Londres, transformou a carta de Don DeLillo em combustível criativo para seu filme mais recente. A obra nasce de uma amizade improvável entre o autor norte‑americano e o diretor, iniciada em 2017 após uma carta manuscrita recebida por Rivers.
O projeto nasceu da curiosidade de combinar a literatura de DeLillo com um mundo pós‑apocalíptico, livre de adultos. Rivers ampliou a ideia para uma história em que crianças recitam trechos do autor, explorando linguagem, memória e ruptura civilizacional.
A produção de Mare’s Nest não é uma adaptação direta. O filme acompanha Moon, uma jovem que vaga por um cenário desolado e sem adultos, explorando rituais novos criados pelas próprias crianças. O registro utiliza várias locações, incluindo Menorca, Snowdonia e um estúdio em Londres, em tons que remetem ao cinema de imagens e silhuetas.
A adaptação incorpora ainda um monólogo de Daisy Hildyard e trechos da obra de Fernando Pessoa, enriquecendo a montagem com referências literárias. A atriz principal, Moon Guo Barker, é filha da escritora e cineasta Xiaolu Guo, adicionando uma camada de herança artística ao projeto.
Rivers descreve o processo como uma aproximação mais literária que cinematográfica, priorizando imagens e atmosferas em vez de sequências convencionais. O resultado é um universo que flerta com o realismo mágico de forma contida, buscando envolvimento do público pela sugestão.
A iniciativa teve apoio de DeLillo, que autorizou a utilização do conteúdo do texto do dramaturgo em uma leitura que permeia o filme, preservando o tom frio e contido da escrita do autor. O cineasta ressalta que a fidelidade estética foi decisiva para manter o espírito da obra original.
A produção também difere de outras adaptações de DeLillo, que muitas vezes alteram drasticamente o material. Rivers cita exemplos de obras anteriores que perderam o tom intelectual do autor ao serem traduzidas para o cinema, destacando a importância de manter a linguagem seca e precisa de DeLillo.
Mare’s Nest mantém o foco na presença das crianças e na forma como elas redesenham objetos e significados, em meio a um cenário de escassez e reconstrução. Rivers salienta que a escolha de imagens em preto e branco e o som mínimo reforçam a atmosfera meditativa do filme.
Sobre o apoio criativo, DeLillo expressou aprovação ao ver o resultado, uma confirmação para Rivers de que o caminho escolhido foi o adequado. A produção continua firmemente ancorada na interseção entre literatura e cinema, sem perder a essência experimental do diretor.
- Um screening de Mare’s Nest, com sessão de perguntas e respostas com Ben Rivers, está marcado para Curzon Bloomsbury às 18h de terça-feira, 16 de junho.
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