- O cineasta Marc Isaacs lança Synthetic Sincerity, um filme de aproximadamente sessenta a setenta minutos que aborda o uso de obras dele para treinar IA, com uma suposta universidade chamada University of Southern England.
- O documentário fictício mostra Isaacs concordando em permitir que dados de seus filmes sejam analisados por analistas para extrair emoções humanas e criar personagens de IA.
- O projeto utiliza ficção para alcançar áreas que documentários diretos não alcançam, seguindo a linha de seus trabalhos anteriores, que misturam encenação e diálogo escrito.
- A dupla de intérpretes inclui Ilinca Manolache, que interpreta uma avatar de IA, filmada por Isaacs em Snapchat e processada por IA; a cena destaca humor e criticismo sobre autenticidade.
- Synthetic Sincerity chega aos cinemas do Reino Unido em dezoito de julho, explorando questões sobre IA, autenticidade, divulgação de informações e censura universitária, entre outros temas.
Marc Isaacs apresenta Synthetic Sincerity, um filme que questiona os limites da inteligência artificial ao dissecar a prática de usar dados de filmes para extrair emoções humanas. O documentário acompanha a licença de obras de Isaacs por um laboratório universitário fictício, o Universidade do Sul da Inglaterra, para criar personagens de IA a partir de décadas de seus filmes britânicos.
O longa revela que o laboratório fictício analisou obras como Lift, The Curious World of Frinton-on-Sea e Philip and His Seven Wives para extrair emoções autênticas. A dupla criadora, Isaacs e Adam Ganz, explica que aceitaram a ideia de dados ficcionais para explorar formatos híbridos entre documentário e ficção.
Isaacs, de 59 anos, admite ter criado a universidade imaginária para evitar exigências legais, permitindo que pesquisadores analisem seu portfólio sem permissões formais. Ganz, de 67, acrescenta que o recurso à ficcionalidade facilita acessos a temas complexos que textos estritamente documentais não alcançariam.
A produção e o elenco
A obra também envolve Ablikim Rahman, chefe de um restaurante em Londres que aparece retratado como avatar em imagens geradas por IA. Rahman participa do filme sem ter visto a obra concluída, apenas com planos de ver posteriormente. O uso de atuação não profissional reforça o caráter experimental do projeto.
A dupla de diretores já vinha explorando formatos não convencionais em trabalhos anteriores, como The Filmmaker’s House e This Blessed Plot. Em ambos, pessoas comuns participam de cenas com diálogos criados pela dupla, desbordando a ideia de documentário tradicional.
Temas e recepção
Synthetic Sincerity aborda de forma abrangente a revolução da IA, a democratização das imagens e a noção de autenticidade. O filme também trata de conflitos geopolíticos e de censura, incluindo referências à campanha de bombardeio de Israel no Líbano, ao deslocamento de comunidades Uyghur e à censura pró-China em universidades do Reino Unido.
A narrativa utiliza humor e uma dupla atuação entre Isaacs e uma avatar feminina de IA, interpretada pela atriz Ilinca Manolache. A personagem questiona, elogia e critica o diretor, em cenas gravadas com IA a partir de material capturado em Snapchat e transformado por algoritmos.
Perguntas sobre a percepção da realidade
A obra provoca reflexão sobre o que é real na tela. O uso de ficção para investigar o que é verdadeiro resulta em questionamentos sobre a própria natureza do cinema. Um material inédito de um documentário da BBC, incluído na montagem, reforça a ideia de falibilidade e glitches, mesmo fora da IA.
Isaacs afirma que a reação do público varia: alguns insistem que o filme passa uma mensagem, mas ele prefere que o processo de questionamento permaneça em foco. Ele sustenta que o objetivo não é oferecer respostas, e sim provocar debate sobre até onde a técnica pode chegar.
Synthetic Sincerity chega aos cinemas do Reino Unido em 17 de julho.
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