- A peça Eddy – Violência & Metamorfose estreia em São Paulo no Teatro Faap na terça-feira, 23 de junho.
- A montagem adapta trechos de História da Violência, de Édouard Louis, que narra um estupro que o autor sofreu e suas consequências.
- O elenco tem João Côrtes como Eddy, Julia Lund e Erom Cordeiro, com direção de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky.
- Erom Cordeiro assume o papel de Reda, substituindo Igor Fortunato; o personagem é um imigrante que vive violência e repressão.
- A obra aborda violência, machismo, homofobia e ascensão social, com uma narrativa que questiona a própria memória da violência.
A peça Eddy – Violência & Metamorfose, da companhia Polifônica, chega a São Paulo na próxima terça-feira, 23 de junho, após estrear no Rio de Janeiro em 2025. O espetáculo estreia no Teatro Faap, com direção de Luiz Felipe Reis e Marcelo Grabowsky, e é inspirado na obra de Édouard Louis.
A trama parte de História da Violência, em que Louis relata um ataque sexual vivido em Paris. O autor, ao cruzar com um homem na madrugada, é rendido, leva o agressor para casa e, ao tentar ir embora, é surpreendido pela pressão do invasor e por uma arma. A narrativa acompanha a denúncia e a experiência do personagem.
A montagem une trechos de outros textos do escritor, como O Fim de Eddy e Mudar: Método, para explorar a trajetória de um jovem gay, deslocado socialmente e marcado por preconceito. A produção aborda violência, vergonha, medo e questões de classe, com foco em como esses temas reverberam na vida do protagonista.
Erom Cordeiro é a novidade no elenco paulistano, assumindo o papel de Reda, anteriormente interpretado por Igor Fortunato. O vilão da história é apresentado também como vítima, um imigrante que enfrenta dificuldades e vive uma sexualidade reprimida. Cordeiro descreve o desafio de adaptar Reda aos novos moldes da montagem.
João Côrtes interpreta Eddy, enquanto Julia Lund vive a irmã do protagonista. Os dois disputam a condução da narrativa: ele narra a violência que sofreu; ela questiona sua inocência, aponta exageros e analisa o relato. Lund afirma que a obra oferece múltiplas entradas, incluindo temas como violência sexual, machismo e homofobia.
A dupla de diretores aposta na contemporaneidade do material. Côrtes reforça que violência, vergonha e culpa são temas universais que a peça aborda de forma que poderia ocorrer em qualquer lugar. O elenco e a produção destacam a relevância de discutir identidades e opressões num eixo dramático centrado na transformação social.
A obra tem ganhado espaço em palcos internacionais e nacionais, com outras leituras de Louis sendo encenadas na MITsp e em produções anteriores. O projeto assinala a continuidade do interesse por adaptações literárias que dialogam com identidades, violência e ascensão social.
Entre na conversa da comunidade