- Um vídeo de 40 minutos intitulado Persistence (2025), de Helen Cammock, está em exibição no National Portrait Gallery (Londres) há nove meses e gerou controvérsia ao afirmar o papel de Winston Churchill na fome de Bengal, em 1943.
- No vídeo, a artista faz uma menção à conquista de Irlanda por Oliver Cromwell, associando-a a uma fome “encontrada” pelo povo indiano, segundo reportagem do Guardian citada pela matéria.
- A linha crítica começou no Telegraph, que alegou que o filme critica figuras nacionais e afirma de forma incorreta que Churchill provocou fome em massa na Índia e a utilizou como arma de guerra; o texto também mencionou uma carta de apoio à obra com 50 signatários, incluindo o neto de Churchill.
- Um estudo de 2019, analisando dados climáticos da época, é citado como apoiando a tese de que políticas britânicas sob Churchill contribuíram para a catástrofe, conforme reportagem do Guardian da época.
- A artista e o museu defenderam a obra como parte de diálogo sobre história, memória e poder, ressaltando que Persistence foi encomendada em 2023 para a mostra Artists First: Contemporary Perspectives on Portraiture, com foco em diversas histórias dentro da Coleção do museu.
A obra de video chamada Persistence (2025), da artista Helen Cammock, em exibição na National Portrait Gallery (NPG) de Londres há nove meses, gerou controvérsia ao afirmar sobre o papel de Winston Churchill na fome de Bengala em 1943. A obra tem 40 minutos e faz referências históricas a outros episódios de fome.
Cammock, vencedora do Turner Prize em 2019, compara, no vídeo, a fome de Bengala aos períodos de privação promovidos por figuras históricas, incluindo Oliver Cromwell, o que tem provocado críticas. Trechos da narrativa foram destacados pela imprensa britânica como alegações de volutária política de Churchill.
A polêmica ganhou força após reportagem do Telegraph, que questionou a interpretação da obra e citou críticas de figuras públicas a seu respeito. A peça também é objeto de uma carta ao conselho da NPG, com apoio de signatários que incluem familiares de Churchill, descrevendo o conteúdo como ideologicamente motivado.
Defensores de Churchill contestam a ideia de que suas políticas causaram a fome. Estudos de 2019 associaram condições climáticas a fatores que contribuíram para a tragédia, alimentando o debate sobre a causalidade histórica. As avaliações variam entre fontes acadêmicas e jornalísticas.
Em nota enviada à ARTnews, Cammock afirmou que a obra reflete sobre como as narrativas históricas são criadas e quais vozes são valorizadas ou ausentes. Ela disse que o projeto envolveu pesquisa em arquivos da NPG e em outras fontes, explorando temas de poder social e econômico.
A NPG confirmou que a obra foi comissionada em 2023 e permanece em exibição temporária desde setembro de 2025. A instituição ressalta que valoriza a liberdade de expressão artística, mas não endossa as opiniões expressas pelos artistas apresentados.
Persiste a polêmica sobre o papel da instituição pública na exposição de obras cuja interpretação é debatida. Persistence faz parte da programação Artists First: Contemporary Perspectives on Portraiture, que reúne oito artistas e pretende desafiar a visão tradicional do retrato.
A exposição descreve que a curadoria busca dialogar com a coleção permanente, destacando a presença e a ausência de histórias no retrato. A NPG reforça que a curadoria é feita para fomentar debates, sem obrigatoriamente endossar todas as declarações artísticas.
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