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Cineasta László Nemes afirma que o cinema não deve ser ferramenta política

Cineasta László Nemes defende que o cinema não seja ferramenta política; “O Órfão” investiga a origem familiar após o Holocausto.

Cena do filme 'O Órfão', de László Nemes
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  • O Órfão, novo filme de László Nemes, chegou ao catálogo da Mubi e se passa logo após a Revolução Húngara de 1956, acompanhando Andor em busca do paradeiro do pai desaparecido na guerra.
  • A história é baseada na infância do pai do diretor, András Jeles, segundo Nemes, com relatos da avó; o cineasta afirma ter feito algumas liberdades, mantendo o essencial.
  • Nemes afirma que o cinema não deve ser ferramenta política, parecendo evitar leituras diretas sobre autoritarismo atual, ainda que o tema apareça no subtexto.
  • Na trama, o homem que escondeu a mãe de Andor reaparece, pretende assumir a paternidade, e o garoto recusa; há referências a estruturas shakesperianas na narrativa.
  • O cineasta critica a indústria e a autocensura, comenta projetos internacionais como Moulin, em Cannes, e Outer Dark, em inglês com Jacob Elordi, mantendo sua defesa da liberdade criativa.

László Nemes, cineasta húngaro, lançou O Órfão, disponível no catálogo da Mubi. O filme aborda a paternidade de forma central, com uma criança obcecada em encontrar o paradeiro do pai, sumido durante o Holocausto.

A história é inspirada na infância do próprio pai de Nemes, András Jeles, que também atua como referência no filme. A narrativa envolve a avó como principal transmissora da memória familiar, segundo o diretor, em declarações feitas em Veneza.

A trama começa logo após a Segunda Guerra, quando o menino Andor reencontra a mãe, judia que se escondeu em um vilarejo húngaro. O garoto fica em um orfanato enquanto a mãe tenta reconstruir a vida em Budapeste, dez anos depois.

A ameaça de uma figura que ajudou a mãe no passado reacende o conflito: ele busca reconhecer a paternidade, mas Andor resiste à figura masculina que surge.

O diretor aponta traços Shakespeareanos na história, citando Hamlet como referência de narrativa arquetípica. A relação entre traumas familiares e busca por identidade é um eixo central do filme.

A obra está ambientada no período logo após a Revolução Húngara de 1956, quando houve repressão e reforço da presença soviética na região. A ambientação histórica reforça o tom dramático da trajetória de Andor e da mãe.

Nemes nega que o cinema deva funcionar como ferramenta política, afirmando que o objetivo é narrar histórias humanas de forma arquetípica, sem carregar intenções partidárias. Ainda assim, o tema histórico remete a questões de autoritarismo no debate público.

O cineasta critica a tendência de transformar o cinema em produto comercial, com pressões industriais e autocensura. Ele ressalta a importância da liberdade criativa para manter a pluralidade artística.

Além de O Órfão, Nemes tem seguido carreira internacional. Recentemente lançou Moulin, no Festival de Cannes, e trabalha em Outer Dark, seu próximo projeto em língua inglesa, com o ator Jacob Elordi. O diretor mantém o objetivo de preservar a visão artística.

Nemes afirma que o cinema contemporâneo tende a se aproximar de um formato hollywoodiano simplificado, marcado por moralismo e puritanismo. Em sua leitura, esse caminho compromete a diversidade e a qualidade da expressão artística.

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