- A Go Up Entertainment teve penhora de 46,1 mil reais da parcela do aluguel do Hospital Indianópolis, usado para gravações de Dark Horse, em São Paulo.
- O contrato de locação, no valor de 92,2 mil reais, foi fechado em setembro de 2025 para 46 dias de uso entre 24 de setembro e 2 de dezembro de 2025.
- A penhora ocorreu por uma dívida de 895 milhões de reais em honorários advocatícios; a primeira parcela foi paga, a segunda foi penhorada.
- O depósito de 46,1 mil reais foi feito em dezembro em uma conta vinculada ao tribunal; em fevereiro, o credor solicitou o levantamento do valor.
- Investigações envolvem a produção Dark Horse por suspeitas de repasses financeiros, com a prefeitura e a produtora negando irregularidades.
A Justiça penhorou parte do aluguel pago pelo filme Dark Horse a um hospital da zona sul de São Paulo. O Hospital Indianópolis, usado como locação para cenas da produção, teve R$ 46,1 mil bloqueados em pleno acordo contratual com a Go Up Entertainment.
A penhora está vinculada a uma dívida de honorários advocatícios que soma R$ 895 milhões em processo externo à produção. As informações indicam que o uso do hospital ocorreu sem relação direta com o enredo do filme, mas os registros mostram a relação entre a locação e o cumprimento de uma decisão judicial.
A assinatura do contrato ocorreu em setembro de 2025, no valor de aproximadamente R$ 92,2 mil, com a primeira parcela quitada na assinatura. A segunda parcela foi alvo de arresto pela Justiça, que determinou o depósito em conta vinculada ao TJSP.
Contrato de locação
Um oficial de Justiça esteve no Hospital Indianópolis para avaliar bens passíveis de penhora e encontrou a equipe da Go Up Entertainment trabalhando na edição de cenas. O levantamento indicou que a produtora norte-americana Go Up Entertainment Ltda utilizava dependências e equipamentos do hospital, com a devida identificação de bens vinculados ao contrato de locação.
O depósito do valor penhorado foi efetuado pela Go Up em 2 de dezembro, em acordo com o tribunal. Em fevereiro, o credor solicitou acesso aos R$ 46,1 mil, conforme o andamento do processo.
Investigação ligada ao Dark Horse
A produção de Dark Horse está sob escrutínio por suspeitas de repasses financeiros envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento do projeto. Além disso, a dona da Go Up, Karina Ferreira da Gama, é alvo de apuração da Polícia Civil de São Paulo pela possível desvio de recursos da Prefeitura para a produção.
As apurações também envolvem a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que atua como representante da produtora e teve contrato de R$ 108 milhões com a gestão do prefeito Ricardo Nunes para instalação de pontos de Wi‑fi na capital. Tanto a produtora quanto a prefeitura negam irregularidades.
Contrato de locação detalhado
O acordo previa 46 dias de uso do hospital entre 24 de setembro e 2 de dezembro de 2025. Em produção, a Go Up pagou R$ 1 mil por dia para pré-produção, preparação e desmontagem, enquanto os 26 dias de filmagem consumiram R$ 2,8 mil por dia. Além das gravações, as dependências serviram para montagem de equipamentos, ensaios, maquiagem e figurino.
Entre as cláusulas, o contrato concedeu à Go Up licença irrevogável e perpétua de direitos de imagem, autorais e de design sobre o imóvel e seu mobiliário capturados durante as filmagens. O projeto também previa adaptações no hospital, como a transformação de um andar em hotel cenográfico e a sinalização da recepção para simular a Santa Casa de Juiz de Fora, Minas Gerais, onde Bolsonaro recebeu atendimento após a facada em 2018. As cenas foram gravadas em áreas como UTI, posto de enfermagem e salas de espera.
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