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Dooneen, de Keith Ridgway, traz visões sombrias de Dublin

Ridgway reconstrói Dublin como espaço incerto, entre lar e ausência, em meio a protestos e tensões políticas que sinalizam tempos sombrios

Dublin City, Ireland, where Dooneen is set.
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  • Dooneen, romance de Keith Ridgway, leva o leitor a um Dublin perturbado, onde o protagonista Mew viaja de forma inesperada para a cidade natal.
  • A sensação de casa é questionada: Mew reconhece ruas, mas encontra presenças inquietantes e situações ambíguas que perturbam sua percepção de lar.
  • O livro insinua um clima de agitação social, com tensão entre proprietários e inquilinos e ativismo crescente, incluindo rumores de assassinatos políticos.
  • A narrativa se fragmenta em trechos subterrâneos de protesto, com vozes de radicais em monólogos Beckettianos e referências joyceanas, oferecendo visão crítica sobre resistência histórica e tempo.
  • O sentimento central é o desejo de Mootie, ressaltando a busca por conexão humana em meio ao caos político e social, tema que atravessa toda a obra.

Keith Ridgway lança romance que explora ambivalência, violência simbólica e uma Dublin inquieta. A obra acompanha Bartholomew Port, conhecido como Mew, que parte de Londres para a capital irlandesa de origem. O deslocamento ocorre não por meios físicos, mas por uma travessia simbólica entre bairros, sobressaltos e estranhezas.

A narrativa mergulha em uma cidade que parece reconhecer seus próprios erros, com tensões entre inquilinos e proprietários, além de mobilizações políticas. Dinny, um velho amigo de Mew, sugere o acirramento de movimentos sociais e assassinatos de cunho político, enquanto a trama envolve protestos subterrâneos e encontros com figuras radicais.

A história alterna entre a perspectiva de Mew e monólogos de revolucionários que acompanham a jornada, oferecendo uma visão fragmentada do tempo e da resistência. O tom combina humor ácido com reflexão sobre história irlandesa, imperialismo e o papel da imaginação na política.

Do enredo ao tema

O romance também investiga o que significa chamar de “lar” um lugar alterado pela ausência e pelo retorno. A ambientação inclui passagens subterrâneas de uma Dublin tensa, onde o medo contrasta com a busca por conexão humana. A presença de Mootie, amor de Mew, funciona como eixo afetivo central.

Contexto crítico

A obra é marcada por uma prosa dinâmica, com ritmos variáveis e elocuções que dialogam com tradições literárias de Irlanda e Londres. Mesmo em meio à ambiguidade, a narrativa transmite clareza suficiente para sustentar o andamento e a compreensão do leitor.

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