- Estudo da Truth Initiative aponta que mais da metade dos 152 filmes mais vistos trouxeram cenas com tabaco, com quase o dobro de ocorrências entre 2023 e 2024, frequência maior em tramas históricas ou anteriores ao milênio.
- Em Hollywood, cigarros voltam a ser associados a poder, charme e rebeldia, com exemplos em títulos como Clube dos Vândalos e releituras que destacam décadas anteriores.
- No Brasil, há queda global de fumantes segundo a Organização Mundial de Saúde, mas houve incremento da prevalência entre adultos em dois mil e sete; regulamentação antifumo vigente e redução de cenas de tabaco em produções nacionais, embora ainda haja exceções.
- Celebridades aparecem fumando em clipes, editoriais e cenas, alimentando a ideia de um estilo “cool”; perfis como Cigfluencers divulgam esse tipo de imagem.
- Honeyrose, empresa que fabrica cigarros herbais sem tabaco, atua há décadas na área audiovisual para filmes de época, sem planos de investir em cigarros eletrônicos.
O cigarro volta a ganhar espaço nas telas para moldar tramas de época e criar personagens com estilo. A presença do tabaco em produções vira tema de discussão entre indústria, crítica e público, com leituras que vão desde glamour até alerta de riscos.
Estudos e especialistas apontam um ressurgimento do fumo em cenas relevantes, especialmente em filmes ambientados no passado ou em biografias de figuras históricas. A Truth Initiative registrou aumento no uso de cigarros em cenas entre 2023 e 2024, destacando relatos de filmes como Clube dos Vândalos.
No Brasil, a tendência é acompanhada por dados oficiais que mostram queda global no número de fumantes, mas com apontamentos de aumento de prevalence entre adultos há cerca de dois anos, segundo o Ministério da Saúde. A OMS confirma redução mundial ao longo das últimas duas décadas.
Caminhos da indústria e da publicidade
Ainda conforme as pesquisas, marcas de tabaco históricas dominaram anúncios e associaram o produto a poder, charme e rebeldia. Hoje, a presença de cigarros em produções nacionais e estrangeiras costuma figurar em contextos de passado remoto, com menos foco em consumo atual.
Em paralelo, a exposição midiática de cigarro não se restringe ao cinema. No entanto, especialistas destacam que as imagens continuam influentes, principalmente entre adolescentes, quando associadas a momentos de emoção na narrativa. Pesquisas indicam que o efeito é indireto, mas real.
Regulação, bastidores da produção e cenografia
A regulamentação de conteúdo envolvendo tabaco segue rígida no Brasil. A Ancine exige documentação para aprovar cenas com fumo, álcool ou remédios, contribuindo para que cenas contemporâneas com fumantes sejam menos frequentes. Em produções históricas, a presença tende a permanecer, mas com maior controle técnico.
Cenas de séries com tramas intensas, como dramas policiais ou thrillers, também mantêm o fumo em menor medida, muitas vezes apenas para reforçar a psicologia de personagens. Em obras internacionais premiadas, como biografias, o uso de cigarro continua a ser utilizado para caracterizar nuances dramáticas.
Impactos culturais e visões críticas
Especialistas ressaltam que a diferença entre representar uma época e publicidade ao tabaco é sutil, mas significativa. A presença de cigarro em cenas de grandes sucessos pode reforçar estereótipos de glamour ou de risco associadas aos personagens.
Doutora em psicossociologia, Rosa Vargas afirma que maior exposição aumenta a possibilidade de consumo entre jovens, ainda que haja distinção entre escolhas artísticas e publicidade direta. O debate envolve ética, estética e saúde pública.
Panorama atual e perspectivas
Entre as tendências atuais, filmes e séries que retratam o passado seguem incluindo menos tabaco, mas não excluem completamente. A indústria tem buscado alternativas visuais, como cigarros de material sintético, para reduzir impactos à saúde e cumprir regulações.
Na visão de profissionais do setor, a narrativa continua a exigir elementos para transmitir emoção e personalidade, o que mantém o fumo como recurso dramático em cenários específicos. A discussão permanece aberta entre criativos e reguladores.
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