- O New York Times perguntou a 10 jornalistas e críticos quais filmes definem os Estados Unidos e por quê.
- Entre as escolhas estão O Matador de Ovelhas (1978), Sangue Negro (2007), Jovens, Loucos e Rebeldes (1993) e Scarface – A Vergonha de uma Nação (1932).
- Também aparecem Projeto Flórida (2017), Nashville (1975), Dirty Dancing: Ritmo Quente (1987), Zabriskie Point (1970), Nada Além de Um Homem (1964) e Dia D (2026).
- As escolhas vão de obras independentes a blockbusters e exploram temas como idealismo, riqueza, conflitos sociais e identidade americana.
- O debate acontece em comemoração aos 250 anos dos Estados Unidos e em meio à divisão política atual.
O The New York Times pediu a 10 jornalistas e críticos que escolhessem filmes para definir os Estados Unidos e explicassem o motivo. A lista reúne obras diversas, desde grandes bilheterias até títulos independentes, conectadas pela ideia de retratar o país em diferentes tempos e contextos. O objetivo é entender a imagem nacional que cada produção revela.
Entre os títulos mencionados, há obras que abordam o sonho americano, seus limites e as promessas não cumpridas. A partir de Watts, em Los Angeles, o filme de Charles Burnett mergulha na vida de uma família negra na década de 1970, explorando o idealismo e as verdades duras do país. O crítico destaca a linguagem visual em preto e branco e o peso emocional de cada cena.
Outra referência é Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, que desconstrói o mito da prosperidade ao acompanhar um magnata do petróleo e um pregador oportunista. O filme questiona o preço da riqueza e o conflito entre ambição e ética em uma nação em expansão.
Jovens, Loucos e Rebeldes também aparece na seleção, com a focalização na adolescência no Texas durante o verão de 1976. O retrato de um grupo de estudantes expõe choques entre tradição, identidade e rebeldia, ressaltando a construção do que é ser americano.
Scarface, em sua versão original de 1932, é citado como referência de arquétipos do século passado, ao explorar a criminalidade e o caos em uma emergente cultura de gangster. A obra marca o cinema de referência para entender dinâmicas de poder e violência na história norte-americana.
Projeto Flórida, dirigido por Sean Baker, transporta a ação para Orlando, revelando a diferença entre a fantasia de parques temáticos e a dura realidade de trabalhadores que sustentam esse cenário. O filme equilibra encanto e precariedade social com sensibilidade própria do autor.
Nashville, de Robert Altman, é lembrado pela sua visão ampla da América. O longa entrelaça diversas trajetórias em uma semana de acontecimentos na capital da música, oferecendo um panorama da cultura, política e violência que moldam o país.
Dirty Dancing: Ritmo Quente aparece como análise de classes e identidades, ambientado nos anos 60 com foco num romance que expõe debates sobre direitos das mulheres, aborto e transformações sociais ocorridas no Brasil e no exterior, ao cruzar referências culturais.
Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni, representa uma leitura estrangeira sobre os Estados Unidos. Em tom de sonho e crítica social, o filme dialoga com o descontentamento da época e com o anseio por mudanças, sob a ótica de um visitante.
Nada Além de Um Homem, de Michael Roemer, discute a experiência de um homem negro no sul dos EUA e as tensões entre cidadania, dignidade e segregação, oferecendo um retrato humano de questões históricas.
Dia D, previsto para 2026, encerra a seleção com uma narrativa que combina ficção científica e crítica social. O filme coloca em evidência a ansiedade, a desconfiança e os dilemas morais de uma nação em crise, ao focalizar protagonistas comuns diante de ameaças invisíveis.
Dores, desejos e reflexões sobre o país
A lista apresentada pelo NYT revela filmes que, embora distintos, compartilham o objetivo de expor vulnerabilidades da vida americana. A curadoria evidencia a diversidade de perspectivas, desde o retrato sombrio de Burnett até a crueza de Sangue Negro.
Os comentaristas enfatizam a importância da forma como cada obra captura o tempo, o espaço e as aspirações dos personagens. A partir disso, o cinema aparece como ferramenta para entender identidades nacionais em mudança.
Fontes de referência e indicações
As avaliações citadas incluem críticas de jornalistas e especialistas que discutem o alcance e a relevância de cada título. A seleção não pretende ser definitiva, mas oferece um panorama de como o cinema dialoga com a história e a cultura dos Estados Unidos.
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