- Em 2025, apenas 7% dos 250 filmes com maior bilheteria nos Estados Unidos tiveram mulheres na direção de fotografia.
- Autumn Durald Arkapaw tornou-se a primeira mulher negra a vencer o Óscar de direção de fotografia, pelo filme Pecadores.
- No Brasil, 2024 teve 20% de longas exibidos com a concepção visual assinada por mulheres, a melhor taxa desde o início do monitoramento.
- Barreiras incluem sexismo, salários menores e progressão de carreira mais lenta, além de cobrança por domínio técnico e liderança de equipes.
- Especialistas destacam que a participação feminina é mais comum em documentários e em cargos de menor complexidade, com menor permanência e avanços mais lentos na área.
O cinema ainda apresenta forte desequilíbrio de gênero na direção de fotografia. Em 2025, apenas 7% dos 250 filmes de maior bilheteria em Hollywood tiveram mulheres nessa função. No Brasil, 2024 registrou 20% de filmes com a fotografia assinada por mulheres. O panorama aponta para barreiras como sexismo, salários menores e avanço de carreira mais lento.
Autumn Durald Arkapaw tornou-se a primeira mulher negra a vencer o Oscar de direção de fotografia, pelo filme Pecadores. A vitória ocorreu em Los Angeles, em março, fortalecendo o debate sobre representatividade. Do outro lado do Atlântico, Lílis Soares chorou ao acompanhar o feito no Rio de Janeiro.
Contexto global e impactos
A direção de fotografia está entre as áreas com menor presença feminina, mesmo com o Oscar existente desde 1929. Em termos de percurso, foi apenas em 2018 que uma mulher recebeu sua primeira indicação, seguida por outras nos anos seguintes, sem, contudo, ter vencido até o momento.
A narrativa de Underrepresentation ganha força com dados de monitoramento da Universidade de San Diego, que apontam baixa participação de mulheres nas obras de grande bilheteria. A discussão também ganhou visibilidade nas plataformas digitais, com destaque para raízes familiares e origens diversas das profissionais.
Realidade no Brasil
No Brasil, a fotografia de grandes projetos de ficção é predominantemente masculina. Dados de 2024, com base em exibição da Ancine e levantamento da UFF, mostram apenas 20% de participação feminina na concepção visual. A melhoria em relação a 2014 é tímida, mesmo diante de avanços no setor audiovisual.
Pesquisas apontam que a entrada de mulheres na função começou mais recentemente, com registros de pioneiras no início dos anos 2000. Hoje, a passagem entre posições técnicas costuma ser mais lenta para mulheres do que para homens, refletindo entraves estruturais.
Desafios de carreira e condições de trabalho
Problemas de ingresso e de permanência marcam a trajetória. Mulheres costumam atuar mais em documentários, com equipes menores, enquanto homens ocupam ficções de maior orçamento. Jornadas longas, salários desiguais e maior necessidade de validação criativa são observados em diferentes níveis.
Especialistas destacam ainda a pressão para cumprir padrões físicos e o peso de equipamentos pesados, que costumam recair de modo desigual sobre as profissionais. Além disso, a construção de carreira envolve lutar contra preconceitos sobre competência técnica e autoridade no set.
Movimentos e perspectivas
Grupos como coletivos de mulheres e dissidentes de gênero atuam para ampliar a representatividade na cinematografia brasileira. Compromissos institucionais, como acordos com organizações internacionais, sinalizam avanços, mas o mercado continua majoritariamente masculino.
Profissionais avaliadas ressaltam que a mudança depende de mudanças estruturais: maior transparência salarial, oportunidades iguais desde a contratação até a liderança criativa e incentivos para permanence de mulheres na cadeia de produção.
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