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Irã participa da Copa do Mundo de Cinema

Em meio a tensões com os EUA, o Irã defende sua soberania na Copa, enquanto o cinema nacional ganha projeção global com Gosto de Cereja

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  • O Irã participou da Copa do Mundo da FIFA deste ano, destacando-se como defesa da soberania diante de tensões com os Estados Unidos, que impediram a base dos iranianos no país durante a competição.
  • O Time Nacional, conhecido como Team Melli, ficou na fase de grupos após três empates e não avançou, na sétima participação desde 1978, sob comando do treinador Amir Ghalenoei.
  • As Eliminatórias da AFC mostraram o caminho do Irã para a Copa de 2026, com vitórias e empates contra Catar, Coreia do Norte, Emirados Árabes Unidos, Quirguistão e Uzbequistão.
  • No cinema, o Irã tem tradição desde 1900, com a primeira exibição para o xá Mozafaradim e família; Dokhtar Lor, de 1930, foi o primeiro filme falado iraniano, seguido pela Nova Onda Iraniana dos anos sessenta e setenta.
  • A obra escolhida para representar o Irã no “Copa do Mundo de Cinema” foi Gosto de Cereja, de Abbas Kiarostami, Palme d’Or em Veneza (1997), que ganhará remake brasileiro com Wagner Moura.

O Irã levou para a Copa do Mundo de Cinema uma leitura dupla: esportiva e cultural. O time nacional, Team Melli, disputou a competição como defesa da soberania diante de tensões com os Estados Unidos. O regime proibiu bases de preparação no território durante a campanha.

A participação iraniana soma sete voltas olímpicas no formato. A estreia ocorreu em 1978, na Argentina, e a vaga de 2026 saiu das Eliminatórias da AFC, com Amir Ghalenoei na casamata. Os confrontos válidos envolveram Catar, Coreia do Norte, Emirados Árabes, Quirguistão e Uzbequistão.

A gênese do cinema iraniano

A história do cinema no Irã começa em 1900, com a primeira exibição ao xá Mozafaradim e sua família. Em 1930, surgiu Dokhtar Lor, o primeiro filme falado do país. O cinema atravessou períodos de censura e reviravoltas formais até ganhar reconhecimento internacional.

Nos anos 1960 e 1970, nasceu a Nova Onda Iraniana, com obras como A Casa é Escura e A Vaca, que consolidaram o movimento. A partir dos anos 1980, o cinema iraniano passou a ser visto como arte de primeira linha, recebendo prêmios em Cannes, Veneza e Berlim.

A partir dessa tradição, ícones como Abbas Kiarostami despontaram e ampliaram a projeção internacional. O longa Gosto de Cereja, lançado em 1997, é apontado como marco da maioridade estética do cinema iraniano no exterior.

Gosto de Cereja e o reconhecimento global

Gosto de Cereja foi escolhido como referência para representar o Irã na retrospectiva mundial de cinema, em homenagem a Kiarostami, considerado por muitos o grande divulgador da produção iraniana. O filme venceu a Palma de Ouro em Veneza em 1997.

A obra acompanha Badii, homem de meia-idade que cava uma sepultura e busca alguém para vigiar seu estado naquela noite. A narrativa minimiza explicações, priorizando a experiência sensorial e a reflexão filosófica sobre o sofrimento.

Aclamado pela estética minimalista e pela crítica à censura, o filme ajudou a consolidar o Irã entre as potências intelectuais do cinema contemporâneo. Um remake brasileiro, dirigido a provável estreia com Wagner Moura, está em desenvolvimento.

Texto originalmente publicado no portal Tem Que Ver Cinema

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