Luiz Mott, professor e antropólogo da UFBA, destaca a importância de Xica Manicongo, uma figura histórica que ganhou notoriedade após sua descoberta em 1998. Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), identificou Francisco Manicongo como um dos primeiros travestis do Brasil, revelando sua história de vida e sua orientação sexual em documentos da Inquisição. […]
Luiz Mott, professor e antropólogo da UFBA, destaca a importância de Xica Manicongo, uma figura histórica que ganhou notoriedade após sua descoberta em 1998. Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), identificou Francisco Manicongo como um dos primeiros travestis do Brasil, revelando sua história de vida e sua orientação sexual em documentos da Inquisição. Manicongo foi denunciado em 1591 por ser considerado um “somítigo paciente”, e sua vestimenta o associava a uma “quadrilha de feiticeiros-quimbanda do Congo Angola”.
Desde então, Mott publicou diversos artigos sobre a trajetória de Xica, que foi rebatizada por Majori Marchi em 2010, reconhecendo sua identidade de gênero. O antropólogo argumenta que, apesar de sua contribuição significativa para a visibilidade das travestis no Brasil, ele tem enfrentado cancelamento e plágio, com seu nome frequentemente omitido em reportagens sobre Xica. Mott menciona que foi declarado “persona non grata” pela extinta Associação de Travestis e Liberados, o que resultou em censura a suas pesquisas.
Mott ressalta que sua pesquisa tem sido fundamental para a cidadania das travestis e transexuais, incluindo a divulgação anual de dados sobre assassinatos de LGBT e a introdução do uso do artigo feminino para se referir a pessoas trans. Ele também fundou a Atras, Associação de Travestis e Transformistas de Salvador, e foi responsável por trazer à tona a história de Xica Manicongo, que será tema de um enredo da Escola de Samba Tuiuti em 2025. No entanto, Mott critica a omissão de seu nome na homenagem, considerando-a uma injustiça que precisa ser corrigida.
Por fim, Mott convoca a comunidade acadêmica a validar sua narrativa, citando as contribuições de duas pesquisadoras que também abordaram a história de Xica. Ele enfatiza que a cidadania e a ciência transcendem questões de gênero e vestimenta, reafirmando seu papel como um defensor da causa LGBT+ no Brasil.
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