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Manteiga e margarina: a fascinante história da produção e do papel feminino no mercado

A produção de manteiga, antes dominada por mulheres, perdeu espaço com a industrialização e a ascensão da margarina.

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A produção de manteiga tem uma história rica, especialmente na Europa, onde as mulheres foram as principais responsáveis por sua fabricação até a Revolução Industrial. A jornalista Elaine Khosrova, em seu livro, destaca como essa atividade proporcionou autonomia feminina, permitindo que as mulheres se destacassem social e economicamente. No entanto, com a industrialização e a chegada da margarina, esse cenário mudou. A produção de manteiga passou a ser dominada por homens e métodos tradicionais foram desvalorizados. A margarina, criada como uma alternativa mais barata, se tornou uma grande concorrente da manteiga, levando a uma “guerra” entre os fabricantes. A margarina foi inicialmente rejeitada na França, mas ganhou popularidade nos Estados Unidos, especialmente durante as guerras, quando a manteiga se tornou escassa. Com o tempo, a margarina foi vista como uma opção mais saudável, embora hoje se saiba que as gorduras trans presentes nela podem ser prejudiciais. Atualmente, a manteiga está passando por uma recuperação, com um aumento na demanda por produtos artesanais e saborizados, enquanto a margarina continua a ser uma escolha popular, especialmente entre as classes mais baixas. A qualidade da manteiga também depende da alimentação das vacas, sendo que uma dieta natural resulta em um produto melhor. O movimento de fazer manteiga em casa está ressurgindo, mas isso ocorre em um contexto que pode ser visto como conservador, levantando questões sobre o papel das mulheres na sociedade.

A produção de manteiga, que historicamente foi dominada por mulheres, passou por transformações significativas com a industrialização e a introdução da margarina. A jornalista Elaine Khosrova, em seu livro *Butter: a rich history*, destaca como a fabricação de manteiga proporcionou autonomia feminina na Europa, especialmente durante a Idade Média. As mulheres eram responsáveis por esse ofício, que lhes conferia valor social e econômico.

Com a Revolução Industrial, a produção de manteiga se massificou. A entrada de homens nesse mercado desvalorizou os saberes femininos, que passaram a ser considerados antiquados. A invenção do separador de creme, no final do século dezenove, facilitou a produção em larga escala, afastando as mulheres do processo criativo e intelectual da fabricação.

A margarina, criada como uma alternativa mais barata à manteiga, também teve um impacto profundo. Napoleão III incentivou sua criação, e a margarina se tornou um produto amplamente consumido, especialmente nos Estados Unidos. Khosrova menciona que a “guerra dos noventa anos” entre os fabricantes de manteiga e margarina resultou em legislações que tentaram deslegitimar a margarina, como a exigência de que fosse tingida de rosa.

Além disso, a margarina foi promovida como uma opção saudável, especialmente após as recomendações do médico Ancel Keys, que demonizou as gorduras saturadas. Essa percepção levou a uma era de alimentos com baixo teor de gordura, mas a margarina, por sua vez, revelou-se prejudicial à saúde devido à presença de gorduras trans.

Atualmente, a produção de manteiga está se diversificando, com um aumento na demanda por produtos artesanais e saborizados. As mulheres estão retomando o interesse pela fabricação caseira de manteiga, embora isso ocorra em um contexto social complexo. A produção de manteiga, que outrora garantiu autonomia, agora se entrelaça com novas dinâmicas culturais e políticas.

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