A Casa de Sal, uma residência sustentável na Ilha de Itamaracá, Pernambuco, foi construída por Edna e Gabrielly Dantas com oito mil garrafas de vidro recicladas. O projeto reflete a luta por moradia e resistência cultural, abordando os desafios enfrentados por mulheres negras em um ambiente predominantemente masculino. Edna Dantas, de 55 anos, e sua […]
A Casa de Sal, uma residência sustentável na Ilha de Itamaracá, Pernambuco, foi construída por Edna e Gabrielly Dantas com oito mil garrafas de vidro recicladas. O projeto reflete a luta por moradia e resistência cultural, abordando os desafios enfrentados por mulheres negras em um ambiente predominantemente masculino.
Edna Dantas, de 55 anos, e sua filha Gabrielly, de 27 anos, têm uma trajetória marcada pelo ativismo ambiental. Edna, educadora socioambiental, destaca que o ativismo é uma forma de vida. Ela cresceu no Agreste de Pernambuco e se mudou para Curitiba, onde se envolveu em associações de moradores para lutar por moradia. “A luta por moradia sempre incluiu o cuidado com a terra”, afirma.
Gabrielly, designer de moda focada em sustentabilidade, herdou os ensinamentos da mãe sobre reutilização de recursos. A ideia da Casa de Sal surgiu em 2020, durante a pandemia, ao observar a quantidade de lixo descartado irregularmente na Praia do Sossego. “Minha mãe disse: ‘Quero fazer uma casa de garrafa de vidro’”, conta Gabrielly.
Construção e Desafios
A estrutura da casa foi montada com madeira reaproveitada e as paredes foram erguidas com garrafas de vidro. O projeto, que levou dois anos para ser concluído, é considerado pela mídia como “a primeira casa com garrafas de vidro na vertical do mundo”. Para Edna e Gabrielly, o importante é a autoria e a metodologia utilizada.
O projeto também representa resistência cultural e ambiental. Edna questiona a falta de políticas de fiscalização para resíduos: “Como damos finalidade a esses resíduos se não há punição para as empresas que os geram?”. A construção da casa expôs os desafios de ser mulher negra em um espaço dominado por homens, onde sua competência é frequentemente colocada em dúvida.
Gabrielly espera que sua trajetória inspire outras pessoas a desenvolverem suas próprias tecnologias e formas de empreender. “Se muitas vezes não nos convidam, a gente inventa os espaços porque merecemos continuar e permanecer”, conclui.
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