Natália Cruz e Juliana Santiago fundaram a agência Elas nas montanhas, que organiza viagens de trekking exclusivas para mulheres. O objetivo é proporcionar um ambiente seguro e solidário, especialmente em um contexto de crescente violência contra mulheres no Brasil. O grupo já conta com mais de 100 participantes e planeja expedições desafiadoras, como a subida […]
Natália Cruz e Juliana Santiago fundaram a agência Elas nas montanhas, que organiza viagens de trekking exclusivas para mulheres. O objetivo é proporcionar um ambiente seguro e solidário, especialmente em um contexto de crescente violência contra mulheres no Brasil. O grupo já conta com mais de 100 participantes e planeja expedições desafiadoras, como a subida ao Monte Roraima.
A ideia surgiu após as fundadoras perceberem, durante uma viagem de cinco meses pela América Latina, que muitas mulheres se sentiam inseguras ao viajar sozinhas. Cruz relata que frequentemente recebiam perguntas sobre segurança e experiências de outras mulheres que relataram situações de vulnerabilidade. A agência, que se autodenomina uma comunidade, já se expandiu e atraído mulheres de diferentes idades, principalmente entre 25 e 60 anos.
A violência contra mulheres no Brasil é alarmante. Em 2023, foram registrados mais de 75 mil casos de violência, um aumento de 24,4% em relação ao ano anterior. Desses, quase 4 mil foram homicídios. Apesar de a maioria das agressões ocorrer em ambientes domésticos, o medo de viajar sozinha em áreas isoladas persiste. Cruz destaca que, em grupos femininos, as mulheres se sentem mais protegidas e apoiadas.
Segurança e Sororidade
A agência utiliza uma aplicação que permite solicitar ajuda instantaneamente, mesmo em locais sem cobertura. Até o momento, não houve relatos de situações desagradáveis durante as expedições. As participantes relatam que a experiência de viajar em grupo feminino é transformadora, promovendo confiança e empoderamento. Jaqueline Kiutte, que participou de uma travessia pelos Lençóis Maranhenses, afirmou que a sororidade entre mulheres foi um fator decisivo para sua participação.
Cruz também menciona que, apesar das críticas de homens sobre a exclusão deles, a proposta é criar um espaço onde as mulheres possam se sentir à vontade. A experiência de carregar sua própria barraca e suprimentos durante as trilhas contribui para o autoconhecimento e empoderamento das participantes. A agência continua a crescer, promovendo não apenas aventuras, mas também um ambiente de apoio mútuo entre mulheres.
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