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“Begum TV oferece esperança e educação para mulheres afegãs no exílio”

Jornalistas afganas exiladas lançam Begum TV em Paris, oferecendo educação e apoio a mulheres no Afeganistão sob regime talibã.

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Wajiha Wahidi, uma jornalista afegã de 25 anos, se prepara para gravar um programa na Begum TV, uma emissora criada em Paris por jornalistas afegãs exiladas. A TV, que já tem um ano, oferece educação e entretenimento para mulheres no Afeganistão, onde a situação se tornou muito difícil após a volta dos talibãs ao poder. Wahidi, que saiu do Afeganistão em 2022, trabalha para ajudar as 1,4 milhões de meninas que não podem mais ir à escola. A emissora transmite conteúdos educativos e de apoio psicológico, além de entretenimento, alcançando muitos lares afegãos via satélite. Desde a volta dos talibãs, as mulheres enfrentam muitas restrições, e a ONU considera isso uma forma de apartheid de gênero. Wahidi compartilha que suas irmãs também sofreram com essas mudanças, e ela tenta trazer algumas delas para a França. A Begum TV, que começou com uma rádio, já disponibilizou milhares de vídeos educativos e tem como objetivo alcançar o máximo de mulheres possível. A fundadora, Hamida Aman, tem um histórico de luta pelos direitos das mulheres e acredita que a presença da TV é essencial para resistir à opressão. As jornalistas enfrentam riscos, pois suas famílias no Afeganistão podem ser ameaçadas. A emissora se tornou uma forma de resistência, oferecendo um espaço para que as mulheres falem sobre suas dificuldades e busquem apoio.

A situação das mulheres no Afeganistão se agravou desde a volta dos talibãs ao poder em 2021, com severas restrições à educação e ao trabalho feminino. Em resposta, a Begum TV, lançada em Paris por jornalistas afganas exiladas, tem se tornado uma fonte vital de educação e apoio para mulheres no país.

Wajiha Wahidi, jornalista de 25 anos, se prepara para gravar um programa na Begum TV. O estúdio, localizado em Paris, conta com uma redação e salas de gravação. Wahidi, que não usa véu, se apresenta com roupas de rua, contrastando com a realidade das mulheres afegãs que assistem à programação via satélite. A emissora chega a um em cada dois lares no Afeganistão, onde mais da metade da população necessita de ajuda humanitária.

A missão da Begum TV é crucial para as 1,4 milhões de meninas que, segundo a UNESCO, foram forçadas a deixar a escola. Desde a retomada do poder pelos talibãs, mais de cem decretos têm restringido a presença feminina na sociedade. A ONU considera a privação da educação para meninas acima de 12 anos um caso inédito, caracterizando o regime talibã como um apartheid de gênero.

Impacto e Desafios

As irmãs de Wahidi exemplificam a violação de direitos. Sua irmã mais velha abandonou a universidade e agora enfrenta dificuldades como mãe. Wahidi busca trazer suas irmãs para a França, onde trabalha na Begum TV, que já disponibilizou 8.500 vídeos educativos em pastún e dari. A programação inclui cursos de diversas disciplinas e programas de entretenimento, além de apoio psicológico.

Hamida Aman, fundadora da Begum TV, destaca que 80% do conteúdo é educativo. A emissora também oferece programas de saúde e entretenimento, visando alcançar o maior número possível de mulheres. Aman, que já havia criado a Rádio Begum em Kabul, acredita que a presença da televisão é ainda mais necessária diante da normalização das restrições às mulheres no Afeganistão.

Aman observa que a situação das mulheres no país é alarmante. Muitas já aceitam que meninas a partir de 12 anos devem ficar em casa. A Begum TV se tornou uma forma de resistência, permitindo que as mulheres se conectem e compartilhem suas experiências, mesmo sob risco. A jornalista Saira Akakhil, que apresenta um programa de saúde, relata que muitas mulheres enfrentam problemas psicológicos devido à falta de perspectivas.

A comunidade internacional é criticada por priorizar questões de segurança em vez dos direitos humanos. Aman espera que o isolamento de Kabul não se torne uma realidade, pois isso prejudicaria ainda mais a população. A Begum TV, portanto, representa uma luz de esperança para as mulheres afegãs, oferecendo educação e apoio em tempos de repressão.

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