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Dulce Amabis discute os desafios emocionais da maternidade contemporânea e a solidão no puerpério

Maternidade contemporânea exige apoio emocional. Psicoterapeuta Dulce Amabis destaca a solidão no puerpério e a busca por perfeição.

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Dulce Amabis, psicoterapeuta com quase 30 anos de experiência, fala sobre os desafios que as mães enfrentam hoje. Ela percebeu que muitas mulheres se sentem sozinhas e despreparadas para a maternidade, mesmo com acesso a informações. Dulce criou grupos de apoio para gestantes, onde as mulheres podem compartilhar suas experiências e criar laços. Ela observa que, após o parto, as mães muitas vezes se sentem isoladas, enquanto todos ao redor voltam à rotina normal. Além disso, a pressão para ser uma mãe perfeita, reforçada pelas redes sociais, aumenta a angústia. Dulce destaca que os bebês não precisam de mães perfeitas, mas de mães que estejam bem. Ela também critica a ideia de que os bebês precisam ser constantemente estimulados, enfatizando a importância do vínculo emocional. Para mulheres em situação de vulnerabilidade, os desafios são ainda maiores, pois muitas precisam voltar ao trabalho rapidamente e não têm apoio suficiente. Dulce defende a necessidade de políticas públicas que ofereçam mais suporte e condições dignas para as mães.

Dulce Amabis, psicoterapeuta com quase três décadas de experiência, destaca a importância de grupos de apoio para gestantes. Em entrevista, ela aborda a solidão no puerpério e a pressão por uma maternidade idealizada, temas recorrentes em seus encontros.

Os grupos, que Dulce coordena há 28 anos, surgiram da observação de que muitas mulheres se sentem despreparadas para a maternidade. “Antigamente, as meninas aprendiam observando suas mães. Hoje, muitas nunca seguraram um recém-nascido antes do próprio filho”, afirma. A solidão se intensifica após o parto, quando a mãe percebe que está sozinha enquanto todos retomam suas rotinas.

Dulce define essa fase como a de “mães recém-nascidas”, marcada por inseguranças e renúncias. Mesmo mulheres com privilégios enfrentam dificuldades emocionais. “Abrir mão de desejos para cuidar de um bebê é doloroso, e a divisão de tarefas com o parceiro muitas vezes não é real”, explica.

Desafios da Maternidade

A psicoterapeuta ressalta que, após a chegada do bebê, é essencial que as mães também recebam cuidado. Os dilemas emocionais se intensificam, especialmente na hora de colocar limites. “Crianças precisam atravessar sentimentos difíceis. Os pais devem tolerar isso”, diz Dulce. Ela critica a ideia de que os filhos devem estar felizes o tempo todo, enfatizando que a frustração é parte do crescimento.

Outro ponto abordado é a busca por perfeição, exacerbada pelas redes sociais. “A fantasia de que a mãe deve estar feliz o tempo inteiro é irreal. O bebê precisa de uma mãe que esteja bem, não perfeita”, afirma. A pressão por uma maternidade idealizada pode gerar angústia e sobrecarga emocional.

A Necessidade de Políticas Públicas

Dulce também destaca a desigualdade social na experiência da maternidade no Brasil. Mulheres em situação de vulnerabilidade enfrentam desafios ainda maiores, como a falta de tempo e espaço para refletir sobre a maternidade. “Elas voltam ao trabalho poucos dias após o parto, e a licença maternidade é curta”, critica.

Para Dulce, é urgente desenvolver políticas públicas que garantam tempo e apoio às mães. “A maternidade exige presença, cuidado e condições mínimas para ser exercida com dignidade”, conclui.

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