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Música revela caminho para a eternidade

Música como elo eterno: a lembrança do pai guia o maestro Vitor Gorni, unindo samba e o Concerto para Clarinete de Mozart

Memória afetiva mostra como a música liga dor, amor e vocação: mais que arte, ela eterniza vínculos e dá sentido à vida. (Foto: Imagem criada utilizando OpenAI/Gazeta do Povo)
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  • O maestro Vitor Gorni contou que, ainda criança em Cambé, ouviu o saxofone do pai e chorou; o pai morreu em 21 de novembro de 1960, pouco antes do aniversário de cinco anos de Vitor.
  • A música que o inspirou a seguir a carreira foi “Menina Moça”, composição de Luiz Antonio e Djalma Ferreira, que ganhou significado especial para ele.
  • O Concerto para Clarinete em la maior, K. 622, de Mozart, tornou-se um caminho de vida para Vitor, especialmente o segundo movimento, o Adagio.
  • A obra mozartiana data de outubro de 1791, escrita para Anton Stadler; Mozart morreu em dezembro daquele ano, aos 35 anos.
  • O texto conclui que as duas músicas marcaram a vida do maestro como cantos de cisne e sinais da vida eterna, e que ele se tornou músico para ficar perto do pai.

A história de Vitor Gorni é marcada por memórias que atravessam gerações. Em Cambé, no norte do Paraná, ele vivia com os pais e as irmãs quando, aos quase cinco anos, ouviu pela primeira vez uma melodia que o tocou profundamente. Um saxofone, tocado pelo pai, abriu uma porta para o caminho que escolheria mais tarde.

O encontro inevitável com a música veio naquele dia de 1960, ainda tão cedo na vida do garoto. O pai, gerente de banco, tocava para acalmar o filho diante de uma canção que traduzia uma paisagem carioca dos tempos dourados. O momento ficou gravado na memória do futuro maestro, ainda que a lembrança tenha se embebido de silêncio.

Pouco tempo depois, a vida levou o pai, em 21 de novembro de 1960. Vitor completaria cinco anos menos de um mês depois. A perda moldou a relação dele com a música, que corresponderia a um elo forte com as memórias familiares e com a busca pela serenidade que a arte pode oferecer.

Na adolescência, a irmã mais velha revelou o nome da música que o garoto buscava: Menina Moça. A canção, parceria de Luiz Antonio e Djalma Ferreira, representa uma passagem entre o samba tradicional e a bossa nova, com uma pureza nostálgica que marcou a relação do maestro com a família.

Entre as obras que moldaram esse percurso, a escolha pelo Concerto para Clarinete em A maior, K 622, de Mozart, ganhou significado especial. A peça é lembrada como uma via de acesso à contemplação, especialmente pelo segundo movimento, o Adagio, que emociona quem a ouve.

A descoberta do concerto envolveu buscas antigas por discos e sebos, antes da possibilidade de consultar a internet. A obra, escrita para Anton Stadler, é uma das últimas de Mozart, publicada em outubro de 1791, dois meses antes da morte do compositor.

A trajetória de Vitor Gorni também revela um vínculo profundo com a figura do pai. O maestro sempre associou a própria escolha pela música à presença daquele familiar, afirmando, em memória, que a música o mantém próximo dele.

O carisma da história reside na ideia de que duas escolhas musicais centrais – o samba que marcou a infância e o concerto mozartiano – funcionam como cantos de cisne na vida do músico. Ambos refletem uma busca por eternidade e serenidade através da arte.

A memória de Altino Gorni, falecido aos 40 anos, reforça o tema da conversa: a música como caminho para permanecer, mesmo diante da passagem do tempo. A relação entre pai e filho se tornou, para Vitor, um motivo constante para seguir na música.

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