- Christina Puchalski, professora de Medicina na George Washington University, defende integrar a espiritualidade aos cuidados de saúde e ajudou a criar a ferramenta FICA (fé, influência, comunidade e ação) para avaliar as necessidades espirituais dos pacientes.
- Ela foi a principal convidada do 7º Congresso Internacional de Ciência, Saúde e Espiritualidade (CoNupes), realizado no fim de maio em Juiz de Fora (MG), e destacou a importância de abordar essa dimensão no atendimento.
- A abordagem busca tratar a pessoa como um todo, considerando aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais, e pode reduzir sofrimento quando essas necessidades são reconhecidas.
- Capelães e equipes interdisciplinares ajudam no acompanhamento espiritual, com médicos atuando como gestores do cuidado, mantendo limites profissionais e encaminhando quando necessário.
- Existem riscos éticos, como o proselitismo, e a médica ressalta a importância de respeitar as crenças do paciente; se o paciente pedir para rezar, ela prioriza apoiar o momento sem conduzir a oração.
A ideia central do trabalho médico é tratar o paciente como um todo, incluindo a dimensão espiritual. O tema ganha relevância ao redor de um caso em que uma paciente testemunha de Jeová recusou transfusão de sangue e houve resistência inicial da equipe. A médica Christina Puchalski defende a integração entre cuidado clínico e espiritualidade, buscando respeitar a decisão do paciente sem medir forças com crenças religiosas.
Puchalski, professora da George Washington University, uniu fé, influência, comunidade e ação em uma ferramenta chamada Fica. Ela a apresentou no 7º CoNupes, em Juiz de Fora, destacando a necessidade de avaliação da espiritualidade no atendimento. Segundo ela, compreender o significado que a espiritualidade tem para cada paciente orienta intervenções mais adequadas.
Por que integrar a espiritualidade aos cuidados de saúde
A prática visa abordar sintomas físicos juntamente com fatores emocionais, sociais e espirituais. Em cenários de dor ou estresse, perguntas sobre crenças ajudam a entender impactos no bem-estar. A abordagem não impõe soluções, mas explora possibilidades que respeitam a fé do paciente.
Puchalski trabalha principalmente com famílias de baixa renda em Washington, em que aspectos sociais influenciam a saúde. Em situações de luto ou mudanças de rotina, a equipe busca alternativas viáveis para apoiar o paciente sem impor escolhas.
Como a espiritualidade é avaliada na prática
A profissional explica que não se trata de um único momento, mas de um processo contínuo. A avaliação envolve diálogo, acompanhamento e, quando necessário, a participação de capelães. Em casos de sofrimento espiritual, o médico mantém o acompanhamento, evitando encerrar o tema após a primeira conversa.
Ela ressalta que a espiritualidade não se resume a religião: envolve significado, propósito e conexão com valores importantes para a pessoa. Ao compreender esse conjunto, médicos e pacientes encontram um terreno comum para o cuidado.
Limites éticos e cooperação com capelães
O papel dos capelães é essencial. Eles recebem formação específica para atuar na capelania de saúde e ajudam a interpretar as dimensões espirituais do paciente. Profissionais da saúde mantêm limites para não impor crenças, preservando a autonomia do paciente.
Em situações em que o paciente solicita oração, a prática é respeitada com sensibilidade: o paciente conduz a oração, e o médico acompanha sem interromper. O objetivo é manter o espaço seguro para a expressão religiosa sem extrapolar a função clínica.
Formação e implementação no cotidiano hospitalar
A médica enfatiza que o cuidado espiritual deve ocorrer ao lado do tratamento clínico, com cooperação entre equipes. Em unidades como neuro-oncologia, a integração envolve assistentes sociais, capelães e médicos, com encaminhamentos quando necessário.
A prática não substitui a medicina tradicional, mas atua como complemento. O objetivo é reduzir sofrimento, melhorar a adesão ao tratamento e fortalecer o apoio emocional e espiritual durante o processo terapêutico.
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