O narrador descobriu que tem uma aura dálmata antes da pandemia, quando uma motorista em Botafogo o alertou sobre sua saúde e se apresentou como Madame Letícia, uma vidente conhecida. Recentemente, ele recebeu um panfleto de Madame Shirlei, que oferece ajuda para problemas pessoais e espirituais, mas ele continua cético e confiante em sua própria aura. As videntes têm uma forte presença na cultura do Rio de Janeiro, mas a pandemia mudou a forma como elas atuam, já que a distribuição de panfletos foi proibida. O narrador nota que muitas videntes repetem textos que aprenderam em cursos, ao contrário dos panfletos mais simples dos anos 1980. Ele prefere confiar em sua própria aura e se distancia das promessas das videntes atuais.
Foi antes da pandemia que o narrador descobriu ter uma aura dálmata. Durante um engarrafamento em Botafogo, uma motorista o alertou sobre sua saúde, afirmando ter visto sua aura. Ela ofereceu uma limpeza espiritual gratuita e se apresentou como Madame Letícia, uma vidente que, por anos, foi uma figura conhecida na cidade.
Recentemente, o narrador recebeu um panfleto de Madame Shirlei, que promete soluções para problemas pessoais e espirituais. O material, que destaca o “poder das cartas através da vidência”, sugere que a vidente pode ajudar em questões amorosas, de saúde e até em demandas judiciais. Apesar da proposta, o narrador se mantém cético e confiante em sua própria aura.
A prática de videntes no Rio de Janeiro tem raízes profundas na cultura local. Madame Letícia e outras videntes costumavam ocupar os postes da cidade, mas a pandemia trouxe mudanças. Com a proibição de distribuição de panfletos, as videntes passaram a se adaptar ao novo cenário. O narrador, que já visitou várias videntes, observa que muitas repetem os mesmos textos, provavelmente aprendidos em cursos.
Ele recorda com nostalgia os panfletos dos anos 1980, que tinham uma linguagem mais acessível e direta. A nova geração de videntes, como Madame Shirlei, parece ter perdido essa simplicidade. O narrador, por sua vez, continua a confiar em sua aura e nos poderes que acredita possuir, mantendo-se distante das promessas das videntes contemporâneas.
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