- O partido ultraortodoxo Judaísmo da Torá Unida anunciou sua saída da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em 24 de outubro.
- A decisão foi motivada por desavenças sobre um projeto de lei que propõe isenções do alistamento militar para seus membros.
- Com a saída do partido, a maioria de Netanyahu no Parlamento caiu para 61 dos 120 assentos, tornando o governo mais vulnerável.
- O ministro do gabinete Miki Zohar expressou otimismo sobre a possibilidade de reverter a decisão, mas a pressão aumenta com a oposição de partidos de extrema direita.
- A crise política ocorre em meio a negociações entre Israel e Hamas sobre um possível cessar-fogo, que enfrentam obstáculos devido à posição dos partidos de direita.
TEL AVIV, Israel — O partido ultraortodoxo Judaísmo da Torá Unida anunciou sua saída da coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nesta terça-feira, 24 de outubro, o que pode comprometer a estabilidade do governo em um momento crítico da guerra em Gaza. A decisão foi motivada por desavenças em torno de um projeto de lei que visa estabelecer isenções amplas do alistamento militar para seus membros, que frequentemente se dedicam ao estudo de textos judaicos em vez de se alistar.
A saída do Judaísmo da Torá Unida, que possui sete cadeiras no Parlamento, reduz a maioria de Netanyahu para 61 dos 120 assentos, criando uma margem mínima para a sobrevivência do governo. A situação se torna ainda mais delicada, pois partidos de extrema direita, que se opõem a qualquer cessar-fogo com o Hamas, podem aumentar sua influência nas decisões do governo.
Desdobramentos Políticos
A saída do partido não ameaça imediatamente a liderança de Netanyahu, já que a oposição não pode convocar uma votação para dissolver o Parlamento até o final do ano. Além disso, o Parlamento entrará em recesso no final deste mês, o que oferece a Netanyahu uma janela para tentar reverter a decisão do Judaísmo da Torá Unida. Shuki Friedman, vice-presidente do Jewish People Policy Institute, destacou que as divergências entre o projeto de lei e as demandas do partido são significativas, dificultando um acordo rápido.
O ministro do gabinete Miki Zohar, do partido Likud, expressou otimismo em relação à possibilidade de reconduzir o partido à coalizão, afirmando que ainda há tempo para negociações. No entanto, a pressão aumenta, especialmente com a oposição de líderes da extrema direita, como Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, que já manifestaram resistência a qualquer proposta de cessar-fogo.
Contexto da Guerra em Gaza
A crise política ocorre em meio a negociações entre Israel e Hamas sobre um possível cessar-fogo, com a mediação dos Estados Unidos, Egito e Catar. As conversas, no entanto, não avançaram, e um dos principais obstáculos é a posição dos partidos de direita, que se opõem a qualquer trégua enquanto o Hamas continuar ativo. A saída do Judaísmo da Torá Unida pode complicar ainda mais a busca por um acordo, já que a coalizão de Netanyahu se torna mais vulnerável a pressões internas e externas.
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