- Dominique Spina, padre condenado em 2006 por estuprar um estudante, foi nomeado chanceler da arquidiocese de Toulouse.
- A decisão gerou uma crise na Igreja Católica francesa, com a Conferência dos Bispos pedindo que o arcebispo Guy de Kerimel reconsidere a nomeação.
- Spina, que cumpriu parte de sua pena, agora gerencia registros de batizados, crismas e casamentos.
- O arcebispo De Kerimel defendeu a escolha, citando a “abnegação e integridade” de Spina, mas reconheceu que ele não ocupa uma função de destaque.
- O caso levanta questões sobre o compromisso da Igreja com as vítimas de abusos, especialmente após um relatório que revelou mais de 200 mil vítimas de abusos sexuais na França entre 1950 e 2020.
Dominique Spina, padre condenado em 2006 por estuprar um estudante de 16 anos, foi nomeado chanceler da arquidiocese de Toulouse, gerando uma crise na Igreja Católica francesa. A decisão, anunciada em junho, provocou reações intensas, com a Conferência dos Bispos da França pedindo que o arcebispo Guy de Kerimel reconsidere a nomeação.
Spina, que cumpriu parte de sua pena, agora é responsável por gerenciar os registros de batizados, crismas e casamentos. Alain Esquerre, porta-voz de um grupo de vítimas, afirmou que a nomeação é “um tapa na cara das vítimas” de abusos sexuais. O arcebispo De Kerimel justificou a escolha, alegando que Spina demonstrou “abnegação e integridade” em seu serviço, embora tenha reconhecido que ele não ocupa uma função de destaque.
A controvérsia se intensificou com críticas de outros membros da Igreja. O arcebispo Hervé Giraud, de uma diocese no sul da França, expressou sua desaprovação nas redes sociais, afirmando que “a misericórdia deve ser antes de tudo para com as vítimas”. A Conferência dos Bispos, presidida pelo cardeal Jean-Marc Aveline, está em diálogo com De Kerimel sobre a situação.
O caso de Spina remonta a 1993, quando ele era capelão em escolas católicas e foi acusado de abuso. Após confessar parcialmente, ele se retractou e foi condenado. Em 2009, o site Mediapart revelou que Spina continuava a participar de atividades da Igreja, embora a arquidiocese garantisse que ele não tinha contato com crianças. A situação é ainda mais complexa devido a um escândalo de abusos em outra escola católica da região, que envolve o atual primeiro-ministro François Bayrou.
Um relatório de 2021 revelou que mais de 200 mil pessoas foram vítimas de abusos sexuais por membros da Igreja Católica na França entre 1950 e 2020. A Igreja prometeu combater esses crimes, mas a nomeação de Spina levanta questões sobre seu compromisso com as vítimas e a responsabilidade institucional.
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