- O empresário Jonathan Pires registrou a marca “Marcha para Exu” e entrou com uma ação judicial contra os organizadores da Primeira Marcha para Exu no Recife.
- A Justiça de São Paulo negou a liminar que impedia a realização do evento, que ocorreu em 17 de agosto.
- Pires alega que a marcha é uma luta consolidada e pede R$ 30 mil por danos morais, afirmando ter investido R$ 500 mil em edições anteriores em São Paulo.
- O juiz André Salomon Tudisco destacou que a expressão “Marcha para Exu” não é exclusiva e envolve termos comuns, permitindo o uso por outros.
- Os organizadores do Recife criticaram Pires, acusando-o de apropriação comercial e de explorar a fé do povo negro, especialmente após revelações sobre seu suposto apoio a Jair Bolsonaro.
Exu, orixá do candomblé e umbanda, é o centro de uma disputa judicial envolvendo o empresário Jonathan Pires e os organizadores da Primeira Marcha para Exu no Recife. Pires, que registrou a marca “Marcha para Exu” em 2023, buscou impedir a realização do evento recifense, mas teve sua liminar negada pela Justiça de São Paulo.
O evento, realizado em 17 de agosto, gerou polêmica sobre sua apropriação comercial e vínculos políticos. Pires argumenta que a marcha é uma luta reconhecida e consolidada, e pede uma indenização de R$ 30 mil por danos morais. Ele afirma ter investido R$ 500 mil em três edições anteriores em São Paulo e já anunciou uma versão carioca do evento.
O juiz André Salomon Tudisco, responsável pela decisão, destacou que a expressão “Marcha para Exu” não possui exclusividade, pois envolve termos comuns. Ele ressaltou que a liminar impediria o uso de uma expressão que homenageia uma divindade cultuada por muitos. A defesa dos organizadores do Recife, Renato Fonseca e André Arruda Beltrão, rebateu as alegações de Pires, afirmando que a marcha é uma manifestação coletiva e não pode ser apropriada para fins comerciais.
Fonseca, que se inspirou na marcha de São Paulo, criticou Pires, chamando-o de oportunista. Ele afirmou que o empresário, um homem branco, tenta explorar a fé do povo negro. A controvérsia se intensificou após revelações sobre o suposto apoio de Pires a Jair Bolsonaro, o que gerou divisões entre praticantes de religiões de matriz africana.
Jonathan Pires, que se apresenta como um defensor da religião, enfrenta críticas por sua postura e por acusações de apropriação de iniciativas de outros grupos. Ele nega ter apoiado Bolsonaro e afirma que seu objetivo é promover a resistência contra a intolerância religiosa. O processo judicial continua em andamento, enquanto a Marcha para Exu no Recife se consolidou como um evento significativo para a comunidade.
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