- A polícia sudanesa prendeu cinco cristãos sul-sudaneses, incluindo o pastor Peter Perpeny, em Cartum no dia 16 de agosto.
- A operação ocorreu na área de El-Haj Yousif, aumentando o medo na comunidade cristã local.
- Os detidos foram acusados de estarem em situação irregular, mas não receberam acusações formais.
- Um líder religioso anônimo informou que a repressão contra cristãos tem crescido, levando muitos a se manterem em casa.
- Os prisioneiros foram levados para a Prisão de Omdurman, onde uma mulher foi informada que deveria pagar R$ 600 mil para evitar uma pena de seis meses.
A polícia sudanesa prendeu cinco cristãos sul-sudaneses, incluindo o pastor Peter Perpeny, durante uma reunião de oração em Cartum no dia 16 de agosto. A operação ocorreu na área de El-Haj Yousif, intensificando o clima de medo entre a comunidade cristã local.
Os detidos foram acusados de estarem em situação irregular no país, mas não receberam acusações formais. Um líder religioso, que preferiu não ser identificado, relatou que a repressão contra os cristãos tem aumentado, levando muitos a se manterem em casa para evitar prisões. Os prisioneiros foram levados para a Prisão de Omdurman, onde uma mulher foi informada de que deveria pagar 600.000 libras sudanesas (aproximadamente US$ 995) para evitar uma pena de seis meses.
Contexto de Repressão
A região de El-Haj Yousif é um reduto das Forças de Apoio Rápido (RSF), que estão em conflito com as Forças Armadas Sudanesas (SAF). Este confronto, que começou em abril de 2023, já resultou em dezenas de milhares de mortes e forçou mais de 11,9 milhões de pessoas a deixar suas casas. Igrejas têm sido alvo de ataques, com relatos de bombardeios e saques.
Após a queda do ditador Omar al-Bashir em 2019, o Sudão viu uma breve melhora nas liberdades religiosas, mas o golpe de 2021 trouxe de volta a repressão. Atualmente, o país ocupa a 5ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025, refletindo um aumento na perseguição a cristãos. A população cristã é estimada em 2 milhões, representando cerca de 4,5% dos mais de 43 milhões de habitantes.
Reações e Consequências
O Departamento de Estado dos EUA havia retirado o Sudão da lista de Países de Preocupação Particular em 2019, mas a situação atual levou organizações internacionais a alertar sobre o agravamento da repressão contra cristãos. Extremistas muçulmanos têm utilizado as redes sociais para incitar a prisão de cristãos sul-sudaneses, aumentando ainda mais o clima de insegurança.
As condições no Sudão se deterioraram com a intensificação da guerra civil, que já resultou em um aumento no número de cristãos mortos e vítimas de abuso. Relatos indicam que igrejas estão sendo bombardeadas e ocupadas por forças em conflito, enquanto a população cristã vive sob constante temor de perseguições.
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