- Desde 2018, o jornal EL PAÍS investiga casos de pederastia na Igreja espanhola, com a Conferência Episcopal reconhecendo 2.002 vítimas.
- Apenas 2% dessas vítimas receberam reparação, e a criação de uma comissão de arbitragem não conseguiu resolver adequadamente os casos.
- O Plano de Reparação Integral de Víctimas de Abusos (Priva) atendeu apenas 25 das 80 solicitações recebidas.
- A maioria das vítimas busca reparação nas 70 dioceses e 300 ordens religiosas, onde apenas 22 casos foram tramitados nos últimos anos.
- A falta de transparência e a burocracia geraram descontentamento, e muitos sobreviventes optaram por não buscar reparação com a Igreja, confiando em instituições públicas.
Desde 2018, o jornal EL PAÍS investiga casos de pederastia na Igreja espanhola, revelando que a Conferência Episcopal reconheceu 2.002 vítimas, mas apenas 2% receberam reparação. A criação de uma comissão de arbitragem para reparar as vítimas falhou em oferecer soluções adequadas, resultando em processos longos e pagamentos inconsistentes.
O Plano de Reparação Integral de Víctimas de Abusos (Priva), anunciado pela Conferência Episcopal, apenas resolveu 25 das 80 solicitações recebidas. A maioria das vítimas busca reparação diretamente nas 70 dioceses e 300 ordens religiosas, onde apenas 22 casos foram tramitados nos últimos anos. A falta de transparência e a burocracia têm gerado descontentamento entre os afetados, que relatam experiências frustrantes ao tentar obter compensações.
As quantias pagas pela Igreja variam amplamente, com valores entre 1.000 e 90.000 euros. Um exemplo notável é o de duas vítimas que sofreram abusos semelhantes, mas receberam 3.000 e 30.000 euros, respectivamente. A Conferência Episcopal não fornece explicações claras sobre os critérios de indenização, afirmando que a comissão do Priva deve ser a responsável por essas informações.
Além disso, muitos sobreviventes optaram por não buscar reparação com a Igreja, confiando em instituições públicas. O Defensor do Povo propôs a criação de um órgão administrativo para reconhecer e reparar as vítimas, mas a Igreja se opõe, considerando a proposta um ataque. O governo, por sua vez, ainda não implementou um plano de reparação, deixando as vítimas sem justiça.
Casos como o de Bautista, que denunciou um sacerdote em 2017, exemplificam a resistência da Igreja em reparar vítimas, mesmo quando o abusador é confesso. A resposta da diocese foi uma negativa de indenização, apesar de já ter havido uma investigação canônica. Por outro lado, a ordem dos jesuítas demonstrou uma abordagem diferente, aumentando a indenização de uma vítima após uma nova reclamação.
A situação atual evidencia a necessidade de um processo mais transparente e justo para as vítimas de abusos na Igreja, que continuam a lutar por reconhecimento e reparação.
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