- O documentário “3 Obás de Xangô”, dirigido por Sérgio Machado, estreia em 4 de setembro de 2025.
- A obra destaca a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé, ícones da cultura baiana.
- O filme explora a conexão dos artistas com o candomblé e a importância das mulheres pretas na cultura da Bahia.
- Jorge Amado, mesmo sendo ateu, lutou pela liberdade religiosa e ajudou a criar uma lei contra a perseguição religiosa no Brasil.
- O documentário reflete sobre as tradições afro-brasileiras e a força das mulheres na cultura, em um contexto de crescente intolerância.
O documentário “3 Obás de Xangô”, dirigido por Sérgio Machado, estreia em 4 de setembro de 2025 e destaca a amizade entre três ícones da cultura baiana: Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. A obra explora a conexão desses artistas com o candomblé e a influência das mulheres pretas na formação da identidade cultural da Bahia.
Machado, que também é corroteirista, enfatiza que as mulheres pretas, especialmente as mães de santo, desempenharam um papel crucial na construção do imaginário baiano. Ele afirma que Caymmi, Amado e Carybé não criaram essa cultura, mas a traduziram de forma única. O sociólogo Muniz Sodré, presente no documentário, destaca que o candomblé é uma das religiões que melhor aborda a questão feminina.
Os três artistas foram agraciados com o título de Obá de Xangô por Mãe Senhora, terceira Iyalorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Eles mantinham uma relação constante com os terreiros, sempre atentos às questões sociais, como a saúde dos líderes espirituais e a relação com o poder político. A biógrafa de Jorge Amado, Josélia Aguiar, ressalta essa conexão.
Liberdade Religiosa e Feminismo
O documentário também revela que Jorge Amado, mesmo sendo ateu, lutou pela liberdade religiosa, criando uma lei que proíbe a perseguição religiosa no Brasil. A obra apresenta um tom ensaístico e pessoal, refletindo a vivência de Machado nos terreiros, onde sua mãe militava contra a intolerância religiosa.
“3 Obás de Xangô” não apenas homenageia esses artistas, mas também busca resgatar a importância das tradições afro-brasileiras e a força das mulheres que sustentam essa cultura. O filme promete ser uma reflexão profunda sobre a baianidade e suas raízes, especialmente em tempos de crescente intolerância e polarização.
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