- Após a Revolução Islâmica de mil novecentos e setenta e nove, milhares de opositores do regime iraniano foram executados e muitos estão enterrados no cemitério Behesht-e Zahra, em Teerã.
- O governo iraniano anunciou a transformação do Lot 41 do cemitério em um estacionamento, desconsiderando a presença de restos mortais.
- A decisão gerou críticas de especialistas e defensores dos direitos humanos, que a consideram uma tentativa de apagar a memória histórica das vítimas.
- Imagens de satélite mostram que a construção começou em agosto, com a área sendo pavimentada.
- O cemitério Behesht-e Zahra, inaugurado em mil novecentos e setenta, é um símbolo da repressão e da luta pela memória histórica no Irã.
Após a Revolução Islâmica de 1979, milhares de opositores do regime iraniano foram executados, muitos dos quais estão enterrados no cemitério Behesht-e Zahra, em Teerã. Recentemente, o governo iraniano anunciou a transformação do Lot 41 do cemitério em um estacionamento, desconsiderando a presença de restos mortais. Essa decisão gerou críticas de especialistas e defensores dos direitos humanos, que a veem como uma tentativa de apagar a memória histórica das vítimas.
Imagens de satélite mostram que a construção do estacionamento começou em agosto, com a área sendo pavimentada. O local, conhecido por abrigar os corpos de dissidentes executados, foi alvo de vigilância constante e vandalismo por parte do Estado. O vice-prefeito de Teerã, Davood Goudarzi, justificou a obra, afirmando que o espaço estava inalterado há anos e que a necessidade de um estacionamento levou à decisão.
Shahin Nasiri, pesquisador da Universidade de Amsterdã, destacou que a conversão do Lot 41 se insere em um padrão mais amplo de destruição de locais de memória. Ele estima que entre 5.000 e 7.000 pessoas consideradas “fora da lei religiosa” estejam enterradas ali. A destruição de cemitérios, segundo um relator especial da ONU, visa ocultar evidências que poderiam levar a responsabilizações legais.
A controvérsia em torno do Lot 41 reflete um histórico de impunidade por atrocidades cometidas pelo regime iraniano. Hadi Ghaemi, do Centro de Direitos Humanos no Irã, afirmou que a destruição de locais de sepultamento é um obstáculo para a busca de justiça por parte das famílias das vítimas. O cemitério Behesht-e Zahra, inaugurado em 1970, tornou-se um símbolo da repressão e da luta pela memória histórica no Irã.
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