- Empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como IBM e Dell, ajudaram a criar o estado de vigilância da China, contribuindo para abusos de direitos humanos.
- Uma investigação da Associated Press revelou que essas empresas venderam bilhões de dólares em tecnologia de vigilância, mesmo após alertas sobre seu uso para reprimir dissidentes e minorias.
- O sistema de vigilância digital da China, o mais extenso do mundo, utiliza tecnologias desenvolvidas em grande parte por empresas americanas.
- A IBM colaborou com contratantes militares chineses para desenvolver sistemas usados para monitorar a população, especialmente em Xinjiang.
- Embora algumas empresas tenham encerrado contratos com agências de segurança chinesas, especialistas afirmam que as sanções atuais não cobrem adequadamente novas tecnologias aplicadas em operações policiais.
Empresas de tecnologia dos EUA, como IBM e Dell, têm contribuído significativamente para a construção do estado de vigilância da China, facilitando abusos de direitos humanos. Uma investigação da Associated Press (AP) revela que essas empresas venderam bilhões de dólares em tecnologia de vigilância, mesmo após alertas sobre seu uso para reprimir dissidências e minorias.
O sistema de vigilância digital da China, que é o mais extenso do mundo, utiliza tecnologias desenvolvidas em grande parte por empresas americanas. A pesquisa, que envolveu a análise de documentos confidenciais e entrevistas com mais de 100 fontes, mostra que a IBM colaborou com contratantes militares chineses para desenvolver sistemas de inteligência nacional. Esses sistemas têm sido usados para monitorar e reprimir a população, especialmente em regiões como Xinjiang.
A tecnologia de “policiamento preditivo” permite que a polícia detenha indivíduos antes mesmo de cometerem crimes. Esses sistemas analisam dados de diversas fontes, como chamadas, pagamentos e uso de energia, para identificar pessoas consideradas suspeitas. A IBM, por exemplo, forneceu seu software de análise i2, que foi utilizado para monitorar e reprimir a população uigur.
Empresas como Dell e Cisco também foram identificadas como fornecedoras de tecnologias que apoiam a repressão em Xinjiang. Documentos vazados mostram que a Dell continuou a fornecer software e hardware para a polícia na região até 2022, mesmo após a crescente pressão internacional sobre os abusos de direitos humanos.
Embora algumas empresas tenham encerrado contratos com agências de segurança chinesas, especialistas apontam que as sanções têm lacunas significativas. A legislação atual não abrange adequadamente novas tecnologias que podem ser aplicadas em operações policiais. A situação na China serve como um alerta para outros países, especialmente os EUA, onde o uso de tecnologias de vigilância está crescendo.
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