- O pastor Nikolay Romanyuk, da Igreja Pentecostal da Santíssima Trindade, foi condenado a quatro anos de prisão por criticar a invasão da Ucrânia em um sermão.
- Ele é a primeira pessoa a ser sentenciada sob o Artigo 280.4 do Código Penal russo, que proíbe apelos contra a segurança do Estado.
- O juiz Yevgeny Parshin, do Tribunal da Cidade de Balashikha, decidiu pela condenação após Romanyuk afirmar que a invasão “não era nossa guerra”.
- Além da pena de prisão, o tribunal o proibiu de administrar sites por três anos. Romanyuk, que tem problemas de saúde, pode cumprir a pena em um campo de trabalho.
- A condenação gerou reações de apoio e indignação, com a família do pastor denunciando a brutalidade da prisão e afirmando que a sentença visa silenciar vozes dissidentes.
Na última quarta-feira, 3 de setembro, o pastor Nikolay Romanyuk, da Igreja Pentecostal da Santíssima Trindade, foi condenado a quatro anos de prisão por criticar a invasão da Ucrânia em um sermão. Ele é a primeira pessoa a ser sentenciada sob o Artigo 280.4 do Código Penal russo, que proíbe apelos contra a segurança do Estado.
O juiz Yevgeny Parshin, do Tribunal da Cidade de Balashikha, decidiu pela condenação após Romanyuk afirmar em um sermão de 2022 que a invasão “não era nossa guerra”. Além da pena de prisão, o tribunal o proibiu de administrar sites por três anos. Romanyuk, que já enfrenta problemas de saúde, provavelmente cumprirá a pena em um campo de trabalho.
A prisão do pastor ocorreu após um sermão transmitido ao vivo, onde ele pediu que os fiéis não se alistassem para a guerra, em um momento em que o governo russo anunciava uma “mobilização parcial”. Durante a detenção, Romanyuk foi agredido por policiais, que o atingiram na cabeça, causando um vazamento de fluido do ouvido. A família do pastor denunciou a brutalidade da prisão, mas as autoridades não tomaram medidas contra os agressores.
Defesa e Repercussão
Romanyuk defendeu sua posição no tribunal, afirmando que sua mensagem era baseada nas Sagradas Escrituras e que a doutrina da sua igreja é pacifista. Ele destacou que não abençoa aqueles que vão para a guerra e que sua intenção era expressar uma visão cristã sobre a violência. O pastor também mencionou que a igreja oferece ajuda humanitária a soldados e civis afetados pelo conflito.
A condenação gerou reações de apoio e indignação. Sua filha, Svetlana Zhukova, descreveu o caso como “completamente inventado” e motivado por “ódio pessoal”. Ela afirmou que o pai não cometeu crime algum e que sua condenação visa silenciar vozes dissidentes. O advogado de Romanyuk, Anatoly Pchelintsev, classificou a sentença como “injustificadamente cruel”.
A situação de Romanyuk reflete um clima de repressão à liberdade de expressão na Rússia, especialmente em relação a críticas à guerra. O pastor pretende apelar da decisão, mas sua filha expressou ceticismo quanto a mudanças no veredicto. A condenação de Romanyuk é um exemplo claro de como as autoridades russas tratam manifestações de dissentimento, especialmente quando ligadas a crenças religiosas.
Entre na conversa da comunidade