- Os guarda-chuvas no Japão têm significados espirituais e históricos, sendo considerados yorishiro, objetos que atraem divindades e espíritos.
- Historicamente, surgiram entre os séculos IX e XI como símbolos de autoridade religiosa e política, usados por dignitários.
- Atualmente, são utilizados em festivais, como no Yasurai Matsuri, onde ajudam a “extrair” doenças, e no Hakata Dontaku, simbolizando saúde e fortuna.
- Durante o Obon, em Okinoshima, guarda-chuvas decorados acolhem os espíritos dos falecidos, reforçando a conexão entre o cotidiano e o sagrado.
- Além de proteção contra o clima, os guarda-chuvas tradicionais representam cuidado, saúde e boa sorte, refletindo a rica memória cultural do Japão.
Os guarda-chuvas no Japão vão além de simples objetos de proteção contra a chuva ou o sol. Eles possuem significados espirituais e históricos, sendo considerados yorishiro, ou seja, objetos que atraem divindades e espíritos. Essa visão animista, descrita pelo professor emérito Tatsuo Danjyo, associa a forma circular do guarda-chuva à alma, enquanto sua haste representa o pilar que permite a descida das entidades.
Historicamente, os guarda-chuvas surgiram entre os séculos IX e XI como símbolos de autoridade religiosa e política. Os longos sashikake-gasa eram utilizados por dignitários e assistentes. Com o tempo, seu uso se popularizou, mas a essência espiritual permaneceu, coexistindo com a função prática de proteção e status.
Festivais e Rituais
Atualmente, os guarda-chuvas continuam a desempenhar um papel importante em festivais. No Yasurai Matsuri, em Kyoto, realizado em abril, guarda-chuvas em formato de flor são utilizados para “extrair” doenças dos participantes. Já no Hakata Dontaku, em Fukuoka, os kasaboko, grandes guarda-chuvas decorativos, são vistos como símbolos de saúde e fortuna.
Durante o Obon, em Okinoshima, estruturas decoradas acolhem os espíritos dos falecidos, que são escoltados em uma dança processional. Essa conexão entre o cotidiano e o sagrado é reforçada pela presença dos kasa yōkai, os “espíritos do guarda-chuva”, que representam a crença de que objetos usados podem reter uma centelha espiritual.
Uso Cotidiano e Cultural
Embora os turistas vejam guarda-chuvas como proteção contra o clima, no Japão, abrir uma wagasa tradicional é um gesto que ressoa com uma rica memória cultural. Museus e oficinas oferecem a oportunidade de explorar a história e o artesanato desses objetos, que unem utilidade, estética e significado ritual.
Assim, a imagem de ruas repletas de guarda-chuvas em dias ensolarados simboliza uma continuidade cultural. Esses objetos práticos transcendem sua função utilitária, representando cuidado, saúde e boa sorte, refletindo a profunda relação entre o cotidiano e o espiritual na cultura japonesa.
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