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Quarenta anos no deserto siberiano, os Velhos-crentes esquecidos pelo tempo

Descoberta em 1978, a família Lykov, Old Believers, vive isolada na taiga; Agafia, a única remanescente, depende hoje de ajuda externa

Agafia Lykova near her remote home in Siberia in 2014. Photograph: Photo ITAR-TASS/ITAR-TASS Photo/Corbis
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  • Em 1978, geólogos russos encontraram a família Lykov, Old Believers, morando isolada há décadas na taiga siberiana, sem contato com outsiders.
  • A rotina era de autossuficiência: dieta sem pão nem geleias, leitura da Bíblia em antigo slavônico e vida baseada na floresta, com pouca ou nenhuma tecnologia.
  • Ao longo dos anos, o grupo fugiu para o interior da floresta para evitar autoridades; Dmitry, Savin e Natalia morreram entre 1981 e 1980s, restando Karp Osipovich e Agafia.
  • A história ganhou notoriedade nacional, com o jornalista Vasily Peskov mantendo visitas regulares e publicando um livro em 1992; Agafia tornou-se símbolo cultural da Rússia rural.
  • Em 2025, Agafia recebe ajuda externa e participa de contatos via telefone; debates sobre custo público de manter a sua assistência, enquanto a figura de “última moradora” persiste na mídia e na cultura popular.

Em 1978, geólogos soviéticos encontraram uma família isolada no sudoeste da Sibéria, longe de qualquer povoamento há décadas. O grupo vivia em uma cabana numa região de taiga, com uma horta aparentemente mantida à distância de visitantes.

Os Lykov, membros de antigas comunidades Old Believers, viviam sem contato com o mundo externo. Karp Osipovich era o patriarca; Natalia, Agafia e dois filhos moravam mais perto do rio. Os visitantes relataram recusa a pão e jam, além de uma linguagem peculiar usada pela família.

A história ganhou notoriedade após o encontro inicial. Agafia, a mais jovem, nunca tinha visto um automóvel; a família dependia de caça, plantas silvestres, raízes e alimentos básicos coletados na floresta para sobreviver. Nos anos seguintes, o repórter Vasily Peskov passou a visitá-los regularmente.

Contexto histórico dos Old Believers

Os Old Believers surgiram no século XVII, após reformas litúrgicas propostas por Nikon. Eles rejeitaram mudanças na prática religiosa e buscaram isolamento para preservar tradições. Muitos viveram em florestas selvagens ou afastados de centros urbanos, buscando autonomia espiritual.

As visitas contínuas de pesquisadores e jornalistas, sobretudo a partir dos anos 1980, provocaram interesse público e debates sobre memória, preservação cultural e custos de apoio a comunidades tão isoladas. As histórias dos Lykov foram difundidas por meio de reportagens e obras literárias.

Mudanças ao longo do tempo

Com o passar das décadas, o isolamento foi quebrado lentamente. Agafia e o pai evoluíram para depender de ajuda externa, recebendo itens e assistência para emergências. Entre 1990 e 2000, visitas se intensificaram; a família passou a aceitar alguns recursos, mantendo, porém, práticas religiosas e costumes antigos.

No século XXI, a pauta mudou para questões logísticas e legais. Agafia recebeu apoio humano e tecnológico, como comunicação de emergência, elevando o debate sobre viver em áreas protegidas e custos governamentais. A narrativa também ganhou projeção na internet, com vídeos que alcançaram milhões de visualizações.

Atualidade e repercussão

Em 2025, uma forte nevasca no Natal complicou visitas a Agafia. Ela recebeu ajuda de uma noviça Old Believer e permanece sob atenção de autoridades e admiradores. Han entrado discussões sobre a viabilidade de manter a assistência, sem alterar o modo de vida tradicional.

A história da família Lykov permanece como símbolo de resistência cultural e da busca por um modo de vida autossuficiente. O interesse público persiste, refletindo, ao mesmo tempo, questões de preservação, ética pública e apoio a populações extremamente isoladas.

Notas finais sobre o legado

Os Lykov foram documentados por meio de relatos de imprensa, livros e registros fotográficos. A cobertura destacou a convivência entre tradição religiosa, afastamento social e as tensões entre autonomia e assistência externa. A narrativa continua a provocar reflexão sobre memória coletiva e identidade nacional.

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