A Diocese Católica de Albany, no estado de Nova York, concordou em pagar US$ 148 milhões (cerca de 740 milhões de reais) para encerrar processos movidos por cerca de 440 pessoas que sofreram abuso sexual. As violações foram cometidas por padres, funcionários e voluntários da instituição. O acordo foi um dos maiores já firmados pela […]
A Diocese Católica de Albany, no estado de Nova York, concordou em pagar US$ 148 milhões (cerca de 740 milhões de reais) para encerrar processos movidos por cerca de 440 pessoas que sofreram abuso sexual. As violações foram cometidas por padres, funcionários e voluntários da instituição. O acordo foi um dos maiores já firmados pela Igreja nos Estados Unidos em casos do tipo.
Em comunicado, o bispo Mark O’Connell afirmou que, apesar do valor expressivo, “não é possível compensar adequadamente os sobreviventes pelos horrores vividos”. Para ele, o acordo pode ao menos oferecer algum alívio diante da dor causada tanto pelos abusadores quanto por aqueles que falharam em impedir os crimes.
O desfecho é resultado direto da Lei de Vítimas Infantis de Nova York, de 2019, que abriu uma janela para que casos antigos fossem levados à Justiça, ampliando o alcance de denúncias que, por anos, permaneceram fora do sistema judicial. Muitos dos sobreviventes também fazem parte do processo de recuperação judicial da diocese, que pediu falência sob o Capítulo 11 em 2023.
À época, o então bispo Edward Scharfenberger afirmou que a medida era inevitável: a diocese já havia fechado acordos em cerca de 50 casos, mas ainda enfrentava mais de 400 ações pendentes. Os valores pressionam financeiramente e institucionalmente a Igreja.
O anúncio do acordo foi feito em conjunto com o Comitê Oficial de Credores por Danos, formado exclusivamente por sobreviventes de abuso dentro da comunidade católica local, e é considerado um passo importante para que a diocese consiga sair da falência.
Ainda assim, o pagamento precisa ser aprovado pelos próprios sobreviventes e validado pela Justiça.
O advogado Jeff Anderson, que representou 186 vítimas, destacou que o valor não inclui contribuições das seguradoras da diocese, um ponto central das disputas e que ainda deve prolongar as negociações.
“As seguradoras têm consistentemente negado, atrasado e evitado suas responsabilidades”, afirmou. “Esse comportamento faz parte de um padrão mais amplo, visto em todo o estado de Nova York e no país.”
Parte relevante dos recursos virá das próprias paróquias, que devem contribuir com US$ 50 milhões ( cerca de R$ 250 milhões), principalmente a partir de suas reservas.
Para a advogada Cynthia LaFave, que também atuou na defesa das vítimas, o acordo vai além da compensação financeira.
“Trata-se de um reconhecimento público do dano sofrido por esses sobreviventes nas mãos da diocese e de líderes em quem confiavam”, afirmou. “Nenhum valor apaga o trauma, mas este acordo mostra que suas vozes importam e que a instituição precisa assumir suas falhas.”
Albany é a quinta diocese a remunerar vítimas de abuso
Com o acordo, Albany se torna a quinta diocese do estado de Nova York a chegar a um entendimento com vítimas. Entre as principais dioceses, apenas a Arquidiocese de Nova York e a Diocese do Brooklyn e Queens ainda não recorreram à falência desde a nova legislação.
Além das compensações, a diocese e o comitê afirmam que ainda trabalham na definição de protocolos mais rígidos de proteção infantil — uma etapa considerada essencial para evitar novos casos.
“Tenho verificado cuidadosamente se estamos cumprindo todos os protocolos”, disse O’Connell, que assumiu o cargo em dezembro. “A parte não financeira deste processo é garantir que isso realmente aconteça. E é isso que estou fazendo: assegurar que todas as normas e exigências legais e da Igreja sejam cumpridas.”
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