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São Jorge é celebrado em 23 de abril

Celebração de São Jorge reúne milhares de fiéis; no Rio de Janeiro é feriado desde 2008, e o santo tornou-se padroeiro do estado em dois mil e dezenove

Devotos participam de missa católica durante as celebrações ao Dia de São Jorge, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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  • No dia vinte e três de abril, comemorações de São Jorge reúnem milhares de fiéis no Brasil; o feriado é no estado do Rio de Janeiro desde 2008 e, desde 2019, ele é o padroeiro oficial do estado.
  • São Jorge é considerado padroeiro de cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros, simbolizando coragem e proteção no catolicismo romano, com a ideia de que o bem vence o mal.
  • O santo também integra o sincretismo religioso: em religiões afro-brasileiras liga-se a Ogum; na Bahia pode ser associado a Oxóssi; a prática nasceu durante a escravidão para manter devoção sem perseguição.
  • No Rio, há a Alvorada de São Jorge pela madrugada em Quintino, com missas ao longo do dia; celebrações também envolvem a cultura do samba e feijoada associada a Ogum.
  • Historicamente, em 1969 a festa deixou o calendário litúrgico do Vaticano, passando a memória facultativa; há divergência sobre a origem e referências históricas da figura.

Neste 23 de abril, a celebração de São Jorge mobiliza milhares de fiéis pelo país com as tradições de culto e devoção. O feriado no Rio de Janeiro desde 2008 ganhou ainda mais contours oficiais após a cidade reconhecê-lo como padroeiro do estado, em 2019. A data convoca diferentes expressões religiosas e culturais.

Conhecido como padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas e arqueiros, São Jorge simboliza coragem e proteção no catolicismo. Segundo o Vaticano, ele foi martirizado por professar a fé em Roma, no ano 303, após perseguições ordenadas pelo imperador Diocleciano.

A imagem do santo tornou-se ícone universal, montado a cavalo, com lança, enfrentando o dragão. No Brasil, ele aparece em roupas, tatuagens, templos e casas de oração, em vermelho e branco, cores associadas à Cruz de São Jorge.

Tradição

Além da Igreja Católica, o santo é cultuado pela Igreja Anglicana e pela Ortodoxa. No sincretismo religioso, ele é associado a Ogum, orixá guerreiro, senhor do ferro e das batalhas, especialmente na Umbanda e no Candomblé. Em alguns locais, como na Bahia, pode também ligar-se a Oxóssi.

Durante a escravidão, movimentos de sincretismo mantiveram a devoção a São Jorge ao associar orixás africanos a figuras católicas, facilitando a prática religiosa sob escrutínio. A ligação com Al-Khidr também aparece em algumas tradições islâmicas.

Celebração

No Rio de Janeiro, a “Alvorada de São Jorge” marca o amanhecer com queima de fogos organizada pela Igreja Matriz São Jorge, em Quintino, na zona norte, acompanhada de missas ao longo do dia. Escolas de samba também promovem celebrações temáticas.

Nas festividades, é comum servir feijoada consagrada a Ogum, prática ligada ao sincretismo e à tradição afro-brasileira. A presença de feijão e outros elementos culinários reforça a ligação entre fé, cultura e memória popular.

Vestígio histórico

Em 1969, o Vaticano deslocou a festa de São Jorge do calendário litúrgico para memória facultativa, citando a falta de registros históricos robustos. Ainda assim, narrativas populares sobre o santo persistem e moldam celebrações locais.

Estudiosos apontam referências históricas pontuais, como epígrafes gregas de 368 que mencionam a veneração a mártires, incluindo Jorge. Acredita-se que os restos mortais estejam em áreas distintas, como a Igreja de São Jorge em Lida, perto de Telavive, e Velabro, em Roma.

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