- Em Coreia do Sul, há debates sobre “no-kids zones” em espaços públicos, enquanto o país enfrenta taxa de fertilidade muito baixa e custo alto para criar filhos.
- O texto acompanha histórias de trabalhadores: muitos adiam ou deixam de ter filhos para manter a carreira diante de salários e despesas educacionais elevados.
- A parcela da população jovem expressa desesperança com a reprodução, em meio a críticas sociais e discursos que veem crianças como obstáculo econômico.
- O artigo traz uma leitura bíblica que contrapõe a visão de eficiência: crianças são apresentadas como bênção e patrimônio, com valor que vai além da produtividade imediata.
- A autora do relato acabou tendo cinco filhos, saiu do país para o campo missionário e, hoje, equilibra família grande com estudos, enfrentando ceticismo de alguns sobre sustento e educação.
A noção de que crianças atrapalham a vida profissional tem ganhado espaço na Coreia do Sul, onde uma parte da população vê zonas sem crianças como resposta a incômodos de convivência. A discussão ocorre num contexto de baixo índice de fecundidade e de preocupação com a qualidade de vida em espaços públicos e privados.
Dados oficiais apontam que a taxa de fertilidade no país situa-se entre as mais baixas do mundo, aproximadamente 0,8 filho por mulher, enquanto o custo de criação de filhos é um dos mais altos globalmente. Essas condições alimentam debates sobre políticas públicas, educação e moradia voltadas a famílias.
Relatos de trabalhadores em grandes empresas sul-coreanas revelam dificuldades de conciliar carreira e criação de filhos, com práticas de cuidado compartilhadas entre familiares e decisões de prolongar licenças parentais influenciando trajetórias profissionais. Enfoque em eficiência e produtividade molda as escolhas familiares.
Jornada pessoal
A reportagem acompanhou ainda uma experiência de vida que ilustra mudanças de perspectiva. Em meados de 2010, uma funcionária de uma grande empresa de eletrônicos em Seul enfrentou uma crise de saúde que a levou a se afastar do trabalho por meses. A recuperação coincidiu com uma transformação familiar motivada pela gravidez.
Ao perceber que o bebê poderia redefinir sua vida, a resposta foi buscar um caminho diferente. O nascimento da filha passou a significar esperança e mudança de prioridades, inclusive mudanças conjuntas com o marido. O casal optou por não retornar ao mercado de trabalho após a licença maternidade.
Em 2013, eles mudaram para o exterior com a filha de um ano, iniciando uma trajetória no campo missionário. Hoje, a mãe é mãe de cinco crianças com idades entre 4 e 13 anos e está cursando um doutorado em teologia. O sustento vem, principalmente, de renda familiar e de apoios acadêmicos.
A família descreve uma experiência de mobilidade e sacrifícios financeiros, sustentada por apoio familiar próximo, bolsas de estudo e o trabalho do cônjuge. Em termos práticos, essa narrativa contrasta com a ideia de que a valorização econômica determina o valor das pessoas.
Aproximadamente, o testemunho reflete uma visão de que a criação de filhos representa uma contribuição profunda para a sociedade, indo além de métricas de produtividade. A família afirma que os filhos podem influenciar positivamente comunidades, escolas e redes de fé, mantendo o foco em vocações e propósitos de vida.
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