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Adoção no Brasil: evangélicos têm menor participação no acolhimento de órfãos

Adoção no Brasil: evangélicos questionam a desconexão entre discurso e prática, com 6.187 crianças na fila e 32.098 aptos para adoção

À espera dos filhos pela via adotiva, Eloah e Tiago ouviram muitas críticas, inclusive de cristãos sobre a adoção/ Arquivo Pessoal
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  • A assistente social Eloah Freitas, 36 anos, questiona a desconexão entre o que a igreja afirma e a prática de adoção entre cristãos.
  • No Brasil, 6.187 crianças aguardam uma família e 32.098 pretendentes estão aptos à adoção; a maioria quer bebês, segundo o Sistema Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justiça.
  • Eloah e o marido Thiago, que já são pais por adoção, afirmam que uma parcela da comunidade evangélica poderia mudar essa realidade, citando a grande população evangélica no país (segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, há 47,4 milhões de evangélicos).
  • Ela é autora e fundadora da Comunidade Adotar é Verbo e líder do Ministério Casa de Lídia, que oferece apoio a famílias no processo de adoção.
  • A defender a adoção como expressão prática da fé, Eloah ressalta que nem todos são chamados a adotar, mas todos podem colaborar apoiando famílias adotivas e quem está no processo.

Ao tornar público o processo de adoção em que está envolvida, a assistente social Eloah Freitas, 36 anos, relata questionamentos e falas desencorajadoras de cristãos próximos. A situação evidencia uma possível desconexão entre o discurso religioso e a prática.

Dados do CNJ apontam que hoje existem 6.187 crianças na fila de adoção no Brasil, enquanto 32.098 pretendentes estão aptos a adotar. A disparidade ocorre porque a maioria busca bebês, o que reduz as chances de atendimento rápido para crianças maiores.

Eloah é casada com Thiago, 34, e mãe de Maya, 5. Ela faz parte de um grupo de evangélicos estimado em milhões no país e afirma que, mesmo em meio à fé, há críticas que dificultam o caminho da adoção.

A assistente social atua como autora de obras sobre o tema e lidera a Comunidade Adotar é Verbo, além de coordenar o Ministério Casa de Lídia, que oferece apoio a famílias em processo de adoção.

Ela aponta que a adoção exige preparo, renúncia e suporte emocional. Em entrevistas e atividades públicas, Eloah busca despertar a igreja para incorporar a adoção como prática central da fé, não apenas como projeto social.

Para a autora, nem todos são chamados a adotar, mas todos podem contribuir de alguma forma, seja apoiando famílias adotivas ou oferecendo suporte emocional durante o processo.

Além de trabalhos pedagógicos, Eloah coautora o livro Adoção, Vozes em Movimento, que reúne relatos de 25 autores sobre a formação de novas famílias por meio da adoção.

Em seu Ministério, ela relata encontros entre mulheres de vários estados que caminham juntas, fortalecendo redes de acolhimento e hospitalidade entre famílias que adotam ou pretendem adotar.

Essa hospitalidade é vista como expressão prática da fé, conectando o cuidado com órfãos à vivência cotidiana do evangelho, segundo a visão de Eloah.

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