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Movimento slow cresce no mundo como aliado da saúde

Movimento slow medicine ganha impulso no Brasil, defendendo cuidado individualizado, segurança do paciente e menos pressa na prática clínica

Diferença mais visível entre a medicina convencional e a slow medicine está na consulta.
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  • Slow medicine ganha projeção mundial, defendendo cuidado individualizado, segurança do paciente e uso moderado de tecnologias; a prática valoriza consultas mais demoradas e vínculos entre médico e paciente.
  • No Brasil, a médica Ana Coradazzi e o médico André Islabão assinam o livro Slow Medicine – Sem Pressa Para Cuidar Bem, traduzindo princípios para profissionais e público em geral.
  • A diferença central é usar o tempo como ferramenta diagnóstica e terapêutica, com ênfase em uma anamnese bem feita e evitando procedimentos desnecessários, como antibióticos para gripes.
  • O movimento ganhou também vertentes como slow living, slow travel e slow fit, que promovem desacelerar para melhorar qualidade de vida, com exemplos de Antonio Jiménez e Mauro Vaisberg.
  • Haemin Sunim aponta que desacelerar começa com pequenas ações no dia a dia, como prestar atenção ao momento presente e evitar fazer tudo ao mesmo tempo.

O movimento slow ganha espaço no mundo, especialmente na área da saúde, buscando ouvir o paciente com mais tempo, menos tecnologia e mais vínculo. A proposta é oferecer cuidado individualizado, priorizando segurança e bem-estar, sem reduzir tudo a exames e pressa. O conceito se espalha pela medicina, viagens, alimentação e vida cotidiana.

A slow medicine ganhou força no Brasil por meio de médicos que traduziram princípios internacionais para a prática local. Ana Coradazzi, oncologista e paliativista, foi influenciada pela figura de José Carlos Aquino de Campos Velho, responsável por divulgar a ideia no país. Juntos, escreveram obras que popularizam o conceito entre profissionais e público.

Origens e adesões

O livro Slow Medicine – Sem Pressa Para Cuidar Bem, de Ana e André Islabão, apresenta princípios como cuidado personalizado, segurança do paciente e uso moderado de tecnologias. A obra, publicada pela Summus, busca traduzir as ideias para quem atua na saúde e para o público em geral. A prática enfatiza vínculos duradouros entre médico e paciente.

A diferença na consulta é destacada por Islabão e Ana: ao invés de antibióticos para gripes, prioriza avaliação clínica e orientações de sintomas, com retorno agendado. Assim, tempo é ferramenta de diagnóstico e tratamento, não obstáculo ao atendimento. A abordagem também inspira críticas à pressa da medicina contemporânea.

Expansão internacional e brasileira

O movimento Slow Medicine nasceu na Itália, em 2011, inspirado pelo Slow Food. O latim festina lenta embasa a ideia: agir com cuidado, pensando antes de fazer. Profissionais ressaltam que decisões rápidas são necessárias em emergências, mas a normalidade clínica pode respeitar ritmos mais humanos.

No Brasil, a jornalista Michelle Prazeres adapta o conceito ao país, discutindo cronomeritocracia e desigualdades de tempo. O debate ressalta que nem todos vivem o mesmo tempo de deslocamento ou condições de trabalho, o que exige políticas públicas e práticas médicas mais sensíveis ao contexto.

Saúde, hábitos e estilo de vida

O movimento Slow Fit, criado pelo médico Mauro Vaisberg, combina exercício físico com meditação em movimento. O objetivo é reduzir lesões, aumentar concentração e promover bem-estar, sem abandonar a ideia de que o corpo e a mente merecem atenção integrada. A prática ressalta quatro pilares: foco, autopercepção, meditação e respiração.

Em viagens, o conceito se traduz em escolher menos destinos, passar mais tempo em cada local e evitar roteiros padronizados. Antonio Jiménez, fundador da SlowTravelers, orienta que desacelerar a viagem não significa perder o interesse, mas priorizar vivências.

Filosofia de vida e prática cotidiana

Especialistas destacam que desacelerar não é apenas reduzir velocidade, mas redescobrir presença e propósito. Haemin Sunim, monge zen, recomenda atenção plena em atividades simples: saborear uma refeição, caminhar sem pressa, conversar sem distrações. A ideia é começar com mudanças pequenas para preservar a qualidade do momento.

Movimento slow, segundo líderes, não é contrapor tempo e eficiência, mas promover um equilíbrio entre corpo, mente e sociedade. Em ambientes profissionais ou de lazer, a prática busca reduzir o desgaste, valorizando o cuidado, a empatia e o bem-estar como resultados.

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