- O curta documental “Zé de Paizinho”, codirigido por Yérsia Assis e Geilson Gomes, mergulha na história de seu avô, José Francisco Mota de Assis (1925-2020).
- Zé de Paizinho foi um dos principais mantenedores do samba de aboio e da Festa de Santa Bárbara, realizada oficialmente desde 1888 no povoado Aguada, em Carmópolis, Sergipe.
- A festividade ocorre aos sábados e domingos de Páscoa, homenageando Santa Bárbara e Iansã, representada por uma pedra reverenciada pela família Mota e Assis desde o século XIX.
- O documentário aborda a memória de Tamashalim Ecuobanker, matriarca da família, e a transmissão do culto entre gerações, including a história de Tamashalim chegando ao Brasil escravizada.
- Entre as possibilidades apresentadas no filme, está o desejo de José de levar o samba de aboio à Angola, visando revelar no país africano a “África do Brasil”.
O curta-documental “Zé de Paizinho”, dirigido por Geilson Gomes e codirigido por Yérsia Assis, reconstrói a memória do avô de Yérsia, José Francisco Mota de Assis (1925-2020). A obra acompanha a trajetória de Zé de Paizinho, importante mantenedor do samba de aboio e da Festa de Santa Bárbara em Sergipe.
A produção destaca a relação entre tradição e território, em especial no povoado Aguada, Carmópolis, onde a festividade é celebrada desde 1888. O roteiro reúne registros sobre a relação entre Santa Bárbara e Iansã, com a pedra sagrada que simboliza a divindade para a família há gerações.
O filme também traça a linha de descêndencia nagô, desde Tamashalim Ecuobanker, matriarca que viveu em Japaratuba no século 19, até a neta Maria Benedita. A obra reforça a transmissão da memória musical e religiosa entre gerações, preservando rituais e canções do aboio.
Legado ancestral
Tamashalim é citada como referência ancestral na memória da família Mota e Assis, que mantém viva a tradição. Um dos netos de Tamashalim, João Francisco da Mota, percorre a linha de cuidadores da cultura, repassando o saber para outros membros.
Em “Zé de Paizinho” —mostrado na Aguada e presente em festivais— feridas e cicatrizes históricas aparecem como parte de uma história que se reconstitui a cada geração, mantendo viva a identidade cultural do grupo.
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