- Kyung-hee atravessou o rio que marca a fronteira da Coreia do Norte rumo à China, buscando trabalho e sobrevivência; lá foi vendida como esposa, sem falar o idioma e sem documentos, e teve a filha Seo-yeon.
- Após a morte do homem que a comprou, Kyung-hee foi expulsa dos sogros e a filha ficou com os avós, que registraram Seo-yeon como órfã para receber(auxílio) do governo; anos se passaram sem contato.
- Os encontros entre mãe e filha continuam limitados e cheios de medo, mas ocorrem em situações secretas; Seo-yeon voltou a ver a mãe depois que Kyung-hee se casou novamente com um homem bondoso.
- Através de parceiros da Portas Abertas, Kyung-hee passou a fazer estudos bíblicos secretos e chegou a visitar a filha em local seguro, recebendo até arroz e presentes durante as reuniões.
- Ela se tornou cristã há cerca de um ano; seu versículo favorito é “Amem os seus inimigos” e Seo-yeon, hoje com 17 anos, mostra cuidado pela mãe, pedindo saúde para ela.
Milhares de cristãos acompanham a situação das mulheres cristãs na Coreia do Norte, muitas vivendo a fé de forma discreta diante de repressão. Histórias sem holofotes revelam o cotidiano de fé, coragem e perdas profundas.
A fugitiva Kyung-hee atravessou o rio que delimita a fronteira há anos. Ao chegar à China, foi vendida como esposa. Sem idioma nem documentos, tentou retornar diversas vezes, mas permaneceu sem caminho de volta.
Com o tempo, ela aprendeu a língua, manteve a filha Seo-yeon e passou por mudanças drásticas na vida doméstica. O pai que a comprou morreu e Kyung-hee acabou expulsa pelos sogros, com a menina registrada como órfã para receber auxílio.
Durante anos, Kyung-hee não pôde ver a filha. Em visitas secretas a escolas, luta para manter o contato. Só após novo casamento, com um homem solidário, a mãe conseguiu reencontrar a filha, ainda que os encontros continuem sob medo.
Estudos bíblicos secretos
Foi nesse contexto que Kyung-hee passou a ter apoio de parceiros da Portas Abertas. Ela participou de estudos bíblicos em sigilo, que passaram a ocorrer em locais seguros para mães e filhas separadas pela perseguição.
Nas reuniões, houve solidariedade prática: havia refeição completa para cada visitante, com sacos de arroz distribuídos entre as presentes mesmo com poucos recursos. A fé ganhou significado concreto nesses gestos simples.
Kyung-hee conheceu Jesus há pouco mais de um ano. Seu versículo favorito é sobre amar os inimigos, ensinamento que amplia o desafio de perdoar em meio a dificuldades extremas, segundo ela mesma aponta.
A filha Seo-yeon, hoje com 17 anos, demonstra cuidado pela mãe. Em cada refeição, ajuda a mãe a colocar comida no prato. Embora pareça chinesa, sua identidade é norte-coreana e seu prato favorito é o básico coreano.
O futuro das mulheres cristãs na região
A jovem Seo-yeon pediu à mãe que mantivesse a saúde, reforçando o desejo de uma vida estável e protegida. Histórias como a de Kyung-hee revelam que boa parte da fé na Coreia do Norte se sustenta por meio de gestos diários, não de grandes atos públicos.
Quem acompanha o tema relembra que muitas mulheres vivem sob risco constante. A Portas Abertas atua com apoio emergencial, discipulado bíblico e acolhimento em casas seguras em países próximos à Coreia do Norte.
Para quem quer entender o contexto, a organização aponta que a perseguição também se desloca para fora do país, principalmente na China, onde muitos refugiados norte-coreanos mantêm a prática da fé em segredo.
Orar pelas mulheres norte-coreanas envolve fortalecer a fé fora do país, buscar proteção para mães e filhos separados pela burocracia e apoiar quem ajuda refugiadas, com ações que mantêm a esperança viva.
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