- Brasil é o segundo maior mercado para apps de oração personalizados por IA, com forte presença de evangélicos entre a população.
- Apps como Hallow, Glorify e Magisterium AI enviam mensagens religiosas diárias e conteúdos bíblicos; Hallow acumula mais de quatro milhões de downloads no Brasil desde 2022, e a receita entre janeiro e abril de 2026 alcançou cerca de US$ 400 mil.
- O uso da IA divide-se entre católicos e evangélicos, que veem utilidade, mas também questionam a ideia de pedir orações ou conteúdos a máquinas.
- A Igreja Adventista do Sétimo Dia lançou projetos como Esperança e 7chat.ai, com interações mensais significativas e uso gratuito; dados sugerem conversas em diferentes idiomas e coleta de informações básicas dos fiéis.
- Além dos aplicativos, criadores de conteúdo religioso utilizam IA em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e Tubefy para produzir vídeos de oração, histórias bíblicas e outros materiais, gerando receita para iniciantes.
O Brasil se tornou o segundo maior mercado para aplicativos que oferecem conteúdo religioso personalizado, incluindo orações sob medida. Usuários recebem mensagens diárias com trechos bíblicos, citações de teóricos cristãos e orações, entregues por inteligência artificial e algoritmos de recomendação.
Aplicativos como Hallow, Glorify e Magisterium AI mostram adesão de fiéis de diferentes denominações. A prática tem atraído tanto evangélicos quanto católicos, que buscam conteúdo alinhado com suas tradições e dúvidas sobre fé.
O país registra 47 milhões de evangélicos (27% da população) e 57% de católicos, conforme o Censo de 2022. A penetração da internet atinge 95% da população, segundo o IBGE de 2024, facilitando o acesso a essas plataformas.
Espaço e impacto no mercado
O Hallow acumula mais de 4,8 milhões de downloads desde 2022. Entre janeiro e abril de 2026, a receita no Brasil foi de US$ 400 mil, incluindo assinaturas e recursos desbloqueáveis, segundo a AppMagic.
O Glorify apresenta boa retenção: desde 2021, 4% dos quase 10 milhões de dispositivos que o baixaram mantêm o app após três meses, segundo a AppMagic. Em comparação, o Strava retém 6% no mesmo período.
O Magisterium AI soma 30 mil downloads desde setembro de 2025 e pertence à Longbeard, empresa ligada à digitalização de arquivos para a Igreja Católica.
Uso e percepções
Modelos de IA também respondem a perguntas sobre Deus, fé e espiritualidade. Entre os recursos, há sistemas dedicados ao tema, como o faithGPT da OpenAI e ferramentas ligadas ao Gemini, do Google, que geram conteúdos religiosos a partir de dados dos usuários.
A engenheira católica Heloisa Moraes, 44, adotou o Magisterium AI para esclarecer passagens bíblicas e temas da Igreja. Ela observa que o sistema se baseia em documentos do Vaticano, fortalecendo a confiança no conteúdo.
Ainda assim, parte dos cristãos expressa desconforto com o uso da IA para conteúdo religioso. Algumas pessoas veem a prática como incompatível com a oração pessoal, segundo relatos de fiéis ouvidos pela reportagem.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia tem investido em ferramentas próprias, como o chatbot Esperança (WhatsApp) e o 7chat.ai, com foco na doutrina em português e espanhol. O objetivo é dialogar com fiéis mantendo a linha doutrinária.
O Esperança e o 7chat.ai são gratuitos, mas coletam dados como país, gênero e idade para aprimorar serviços. Em um mês, o 7chat.ai registrou 94,5 mil interações com fiéis adventistas, com uso médio mensal de quase 20 minutos por usuário.
Conteúdo gerado e produção audiovisual
Conteúdos gerados por IA também aparecem em plataformas de vídeo. No Tubefy, site brasileiro, artistas criam vídeos religiosos com IA, respondendo por cerca de 70% da produção diária dos assinantes. O acervo inclui orações, histórias e curiosidades bíblicas.
A produção diária envolve aproximadamente 1,5 mil vídeos curtos e 350 longos, com monetização variando entre usuários iniciantes e volumes de visualizações. Vendas diretas de conteúdos e serviços são comuns entre criadores.
Entre na conversa da comunidade