- O Vaticano beatificará dois padres executados pelo regime comunista na antiga Tchecoslováquia: Jan Bula e Václav Drbola.
- A cerimônia será presidida pelo cardeal Michael Czerny, nascido em Brno, que retornará à cidade para o evento no dia 6 de junho.
- A Diocese de Brno celebra o 250º aniversário e espera milhares de visitantes, com novena e programação espiritual ao longo do dia.
- Bula e Drbola foram presos, julgados em tribunais encenados e condenados à morte na década de 1950 por acusações relacionadas à morte de comunistas.
- Os padres foram rehabilitados em 1990 e seus relatos destacam fé, coragem e influência sobre fiéis, especialmente jovens, antes de sua beatificação.
Um cardeal do Vaticano, nascido em Brno, na atual República Tcheca, retornará à cidade no dia 6 de junho para presidir a beatificação de dois padres executados pelo regime comunista na Tchecoslováquia. A beatificação ocorrerá durante a celebração de aniversário e terá como cenário o centro de exposições da cidade.
Czerny, que ocupa o cargo de prefeito do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, declarou à EWTN News que retornar ao local de nascimento é uma experiência emocionante. Ele relembrou que, na época da infância, a família fugiu da repressão da Cortina de Ferro para o Canadá.
A Diocese de Brno e a celebração pelo 250º aniversário da diocese destacam as primeiras beatificações de sua história, previstas para reunir milhares de fiéis. Um programa espiritual e cultural ocorrerá ao longo do dia, com uma novena nos nove dias que antecedem a beatificação.
Padres assassinados e contexto histórico
Jan Bula (1920–1952) e Václav Drbola (1912–1951) foram presos sem motivação e acusados de cumplicidade em um tiroteio que matou três comunistas, embora estivessem detidos. Foram condenados a morte em julgamentos encenados nos anos 1950, sob o regime comunista que chegou ao poder em 1948.
Para preparar os fiéis, a diocese divulgou materiais educativos e catequéticos. Um filme animado de seis minutos, produzido com apoio de inteligência artificial, assim como um documentário, compõem a trilha de divulgação. Cerca de 40 catequistas fizeram peregrinação a locais ligados aos padres.
O testemunho de Bula e Drbola também foi apresentado em uma conferência em Roma, em 20 de maio, intitulada Os Mártires Beatos do Comunismo. Czerny participou do evento ao falar sobre o martírio dos padres e destacar a relevância histórica de suas ações.
Legado e reconhecimento
Os bispos da Tchecoslováquia informaram os fiéis sobre o agravamento da situação em 1949 por meio de cartas pastorais. Embora alguns padres temessem represálias, Bula e Drbola leram a carta na igreja, demonstrando coragem. A postura foi destacada por especialistas presentes na época.
A postuladora da fase romana do processo ressaltou que a perseguição teve como base a identidade cristã, a influência sobre os fiéis e a lealdade ao Papa, além da capacidade de moldar consciências, especialmente de jovens. Ambos são vistos como exemplos de fidelidade sem agressividade.
A reabilitação de ambos ocorreu em 1990, e eles passarão a figurar entre as primeiras vítimas beatificadas de regimes totalitários do século XX no território da atual República Tcheca. A beatificação é apresentada pela diocese como um marco histórico para a região.
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