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Nova Comunhão Anglicana Global rompe com Canterbury para fidelidade bíblica

Em Abuja, 347 bispos criam a Comunhão Anglicana Global Confessante, rejeitando Canterbury e buscando reorganizar a comunhão para preservar a doutrina bíblica

A Comunidade Global de Anglicanos Confessantes reuniu-se em Abuja (Nigéria) em março de 2026. (Foto: GAFCON)
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  • Em Abuja, de 3 a 6 de março de 2026, 347 bispos de 27 províncias e 127 líderes aprovaram a “Afirmação de Abuja”, abrindo caminho para a Comunhão Anglicana Global Confessional (Gafcon) e uma rede anglicana alternativa.
  • A Gafcon diz buscar restaurar os fundamentos bíblicos do anglicanismo e rejeita as estruturas da Comunhão Anglicana sob Canterbury, incluindo o Arcebispo de Canterbury, Lambeth, o Conselho Consultivo Anglicano (ACC) e a Reunião dos Primazes.
  • A declaração afirma que numerosas províncias abandonaram a autoridade das Escrituras e que é necessário reorganizar a comunhão, indo além da polêmica sobre bênçãos a uniões entre pessoas do mesmo sexo.
  • A nova comunhão se define como confessional, baseada na Declaração de Jerusalém de 2008 e na tradição reformada da Igreja Anglicana, mantendo a ideia de uma comunhão histórica reorganizada, e não uma “comunhão alternativa”.
  • A liderança anunciada inclui Laurent Mbanda (Ruanda) como presidente do Conselho Anglicano Global, Miguel Uchôa (Brasil) como vice-presidente e Paul Donison (Canadá) como secretário-geral, sinalizando a influência crescente do Sul Global.

A Comunidade Global de Anglicanos Confessantes realizou, em Abuja, Nigéria, de 3 a 6 de março de 2026, sua conferência de fundação. A reunião reuniu 347 bispos de 27 províncias, juntamente com 127 líderes leigos e clérigos, para estabelecer uma rede alternativa ao Anglicanismo tradicional.

Os signatários apresentaram a Afirmação de Abuja, documento que marca a criação de uma rede anglicana dedicada aos ensinamentos bíblicos e à autoridade das Escrituras. A declaração critica as estruturas da Comunhão Anglicana sob Canterbury e rejeita os chamados Instrumentos de Comunhão ligados a Cantuária.

A organização revela rejeição explícita às lideranças de Canterbury e à configuração atual da comunhão. Segundo a Afirmação, as estruturas históricas falharam em defender doutrina e disciplina, promovendo o que chamam de coexistência com posições contrárias ao Evangelho.

A nova comunhão se define como confessional, estruturada pela fé comum e pela tradição reformada, em oposição a modelos institucionais. A Declaração de Jerusalém, adotada pela Gafcon em 2008, é apresentada como referência doutrinária, ao lado dos Trinta e Nove Artigos e do Livro de Oração Comum de 1662.

O encontro confirmou a liderança do Sul Global: Laurent Mbanda, de Ruanda, assume a presidência do Conselho Anglicano Global; Miguel Uchôa, do Brasil, é vice-presidente; Paul Donison, do Canadá, assume o cargo de secretário-geral.

A Gafcon afirma representar um segmento considerável do anglicanismo ortodoxo global, com presença marcante na África, Ásia e América Latina, regiões onde as igrejas conservadoras predominam. A organização incentiva províncias a ajustarem constituições para se desvincularem de referências a Cantuária.

Os bispos presentes dedicaram-se a uma “separação baseada em princípios” da atual sede em Canterbury, sinalizando que a nova comunhão não participará de futuras reuniões oficiais nem se integrará às estruturas da atual comunhão.

Afirmam, ainda, apoio a anglicanos que permanecem em províncias consideradas revisionistas e àquelas que formaram jurisdições reconhecidas pela Gafcon, incluindo redes na Europa. Tais movimentos representam uma disputa em torno da autoridade bíblica e da doutrina.

Desfecho ainda em aberto, uma vez que as mudanças podem exigir anos de reformas canônicas. A Afirmação de Abuja marca, segundo os signatários, uma reorganização interna da Comunhão Anglicana histórica, não uma nova comunidade paralela.

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