- Leão XIV completou um ano de pontificado e tem destacado a paz; levantamento mostra mais de duas centenas de menções à palavra paz em homilias e discursos desde maio de 2025.
- Em 22 de março, o papa descreveu o sofrimento causado pelos conflitos armados como um “escândalo para toda a família humana” e pediu que a Igreja e a sociedade não fiquem em silêncio diante das vítimas.
- A paz é apresentada como compromisso permanente da Igreja, com críticas à lógica das guerras que prejudica o Estado de Direito e o direito internacional.
- Sobre inteligência artificial, o pontífice defende uso da tecnologia para o bem comum, desde que não comprometa a dignidade humana; destaca necessidade de ação coordenada entre governos, empresas, educação, comunicação e comunidades religiosas.
- O ano de governo é visto como continuidade do legado de Francisco, com identidade própria marcada pela Doutrina Social da Igreja no contexto digital, diplomacia internacional fortalecida e centralidade da dignidade humana.
O papa Leão XIV completou um ano de pontificado no mês passado. O líder americano, agostiniano, mantém foco em temas já caros a Francisco, falecido em 21 de abril de 2025. Suas primeiras palavras, em 8 de maio de 2025, destacaram uma paz de Cristo que desarma e liberta.
Leão XIV tem utilizado homilias e discursos para marcar a linha de seu mandato. Levantamento do Correio, com a ferramenta Pinpoint, aponta a palavra paz mencionada mais de 200 vezes entre maio de 2025 e o mesmo período deste ano, além de repúdio às guerras em tom constante.
Em 22 de março, o papa descreveu o sofrimento causado por conflitos como um escândalo para a humanidade e afirmou que a Igreja não pode permanecer em silêncio diante da dor das vítimas. A ideia central é que a busca pela paz é compromisso permanente da Igreja.
Esperança
Esperança é palavra recorrente nas falas do pontífice. Ele ressalta que os fiéis devem atuar como mensageiros de esperança, enfrentando o indiferentismo e a desilusão. O tema remete ao Jubileu da Esperança, Ano Santo que vai de dezembro de 2024 a 6 de janeiro de 2026.
Inteligência artificial
Outro tema essencial é a inteligência artificial. Leão XIV vê tecnologia como avanço benéfico, desde que respeite a dignidade humana e liberdades. O desenvolvimento da IA deve servir ao bem comum, não à concentração de riqueza e poder.
Em dezembro de 2025, o papa pediu ação coordenada entre governos, instituições, empresas, setor financeiro, educação, mídia, comunidades religiosas e cidadãos. O objetivo é promover um marco que supere lucros e interesses partidários.
Formação e digital
Paralelamente, o pontífice defende formação e educação como pilares do desenvolvimento humano integral. Em dezembro, questionou o significado de ser humano na era digital, respondendo que a dignidade reside na capacidade de refletir, escolher, amar e se relacionar autenticamente.
1 ano de pontificado: continuidade e novidade
Para o Correio, o doutor em Ciências da Religião Vicente Paulo Alves aponta traços de continuidade com o legado de Francisco, especialmente na defesa dos pobres, migrantes e diálogo, mas com uma identidade própria, mais ligada à tradição intelectual da Igreja e à Doutrina Social.
Alves destaca três frentes para os próximos anos: uma nova etapa da Doutrina Social da Igreja voltada à revolução digital; atuação diplomática internacional robusta com foco em multilateralismo; e centralidade da dignidade humana como elo entre refugiados, trabalho, pobreza, educação, IA e guerra.
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