A World Athletics, que já havia limitado a participação de atletas transgêneros em competições femininas, agora exige um teste de saliva para verificar o sexo biológico de todas as atletas, incluindo aquelas com Distúrbios de Diferenciação Sexual (DDS). Essa decisão gerou críticas sobre sua ética e eficácia. O presidente da federação, Sebastian Coe, afirmou que a medida visa garantir a integridade da competição feminina. O teste busca identificar o gene SRY, que indica a presença do cromossomo Y, e é semelhante a métodos usados há décadas. Especialistas alertam que a nova regra pode prejudicar atletas com DDS, que podem ter características femininas, mas possuem o gene SRY. A espanhola María José Martínez Patiño, que passou por uma situação semelhante no passado, criticou a falta de distinção entre mulheres trans e aquelas com DDS. A World Athletics afirmou que o teste é apenas uma triagem e que atletas com DDS ainda podem competir, desde que atendam a certos limites de testosterona. O caso da sul-africana Caster Semenya, que enfrenta restrições devido ao hiperandrogenismo, também é um exemplo das controvérsias em torno dessas regras.
A World Athletics anunciou a exigência de um teste de saliva para verificar o sexo biológico de todas as atletas femininas, incluindo aquelas com Distúrbios de Diferenciação Sexual (DDS). A medida, divulgada no final de março, visa garantir a integridade das competições, segundo o presidente da federação, Sebastian Coe. A iniciativa gerou polêmica, especialmente em relação à inclusão de atletas transgêneros que passaram pela puberdade masculina.
Em 2023, a federação já havia restringido a participação de atletas trans em competições femininas. Com a nova regra, a World Athletics também se volta para as atletas com DDS, que podem ter características biológicas que complicam a definição de gênero. O teste de saliva busca identificar a presença do gene SRY, que indica o cromossomo Y, responsável pela determinação do sexo masculino.
A prática de verificação de sexo no esporte não é nova. Desde os anos 1960, entidades esportivas adotaram métodos de teste, que variaram de exames invasivos a análises genéticas. O teste atual, baseado na reação em cadeia da polimerase (PCR), é considerado menos invasivo, mas ainda levanta questões éticas e científicas. Especialistas, como a bióloga Carolina Barros, alertam que a presença do gene SRY não necessariamente implica em vantagens atléticas, uma vez que algumas mulheres com esse gene podem ser imunes aos efeitos da testosterona.
A espanhola María José Martínez Patiño, que enfrentou discriminação em sua carreira devido a testes de sexo, criticou a nova política. Ela defende a necessidade de diferenciar entre mulheres trans e aquelas com DDS, afirmando que a atual normativa pode prejudicar futuras gerações de atletas. A pesquisadora Blair Hamilton também questionou a eficácia da medida, argumentando que não há evidências que justifiquem a regulamentação de um grupo inteiro de competidores.
A World Athletics, em resposta às críticas, afirmou que o teste SRY é apenas uma triagem. Atletas com resultados positivos poderão demonstrar insensibilidade completa aos andrógenos, permitindo sua participação na categoria feminina. A federação também impõe um limite de testosterona para atletas com DDS, que deve ser inferior a 2,5 nmol/L por 24 meses antes da competição. O caso da sul-africana Caster Semenya, que já enfrentou restrições devido ao hiperandrogenismo, exemplifica as complexidades que envolvem a regulamentação do sexo no esporte.
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