O Irã informou que não vai disputar a Copa do Mundo de 2026, marcada para começar em junho, nos Estados Unidos, no Canadá e no México. A decisão foi anunciada pelo ministro dos Esportes do país, Ahmad Donyamali, em meio à guerra no Oriente Médio e foi repercutida pelo G1 com base em informações da […]
O Irã informou que não vai disputar a Copa do Mundo de 2026, marcada para começar em junho, nos Estados Unidos, no Canadá e no México.
A decisão foi anunciada pelo ministro dos Esportes do país, Ahmad Donyamali, em meio à guerra no Oriente Médio e foi repercutida pelo G1 com base em informações da Reuters.
Segundo ele, o país não vê condições políticas nem de segurança para participar do torneio depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano.
A saída do Irã transforma um problema diplomático em uma crise esportiva real para a FIFA. Isso porque a seleção já estava classificada para o Mundial e, até aqui, aparecia oficialmente entre as equipes confirmadas no torneio.
No site da FIFA, o Irã segue listado como integrante da Copa de 2026 e do Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
O que levou o Irã a abandonar o torneio
De acordo com a Reuters, o ministro iraniano afirmou que, depois da morte do líder supremo Ali Khamenei e da escalada militar envolvendo o país, “não há condições” para que a seleção dispute a Copa.
Um dos pontos centrais do impasse é que os jogos do Irã estavam programados justamente para os Estados Unidos, um dos países-sede e também um dos atores diretos do conflito.
A tensão já vinha crescendo havia dias. A Reuters também havia informado anteriormente que o Irã foi o único país ausente de uma cúpula de planejamento da Fifa com seleções classificadas, realizada em Atlanta, o que já alimentava dúvidas sobre a presença da equipe no torneio.
Em outra frente, a Associated Press publicou nesta quarta-feira que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ainda trabalha com a expectativa de que o Irã participe da competição.
Segundo a AP, Infantino disse ter recebido garantias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a equipe iraniana seria bem-vinda no país durante o Mundial.
Ou seja, neste momento há um choque claro entre o discurso da Fifa e a posição pública anunciada pelo governo iraniano.
O que pode acontecer com a vaga iraniana
A situação é excepcional porque, na era moderna, praticamente não há precedente de uma seleção já classificada desistir da Copa do Mundo tão perto do torneio.
Em análise publicada pela Reuters no início de março, a agência explicou que, se o Irã realmente sair, a tendência seria a Fifa buscar uma substituição para manter o Mundial com 48 seleções.
Segundo essa mesma análise, o substituto mais provável teria de vir da Ásia, já que o Irã se classificou pelas Eliminatórias da AFC.
A Reuters cita como referência histórica o caso da antiga Iugoslávia, suspensa antes da Eurocopa de 1992, quando a Dinamarca herdou a vaga e acabou campeã. Ainda assim, a Fifa não havia detalhado até então qual seria o plano oficial de contingência para 2026.
Na prática, a desistência do Irã cria três problemas ao mesmo tempo. O primeiro é esportivo, porque mexe na composição de um grupo já definido.
O segundo é político, porque envolve um país em guerra e partidas marcadas nos Estados Unidos.
O terceiro é institucional, porque testa a capacidade da Fifa de reagir a um cenário que foge completamente do padrão de organização de uma Copa do Mundo. Até agora, a entidade ainda mantinha o Irã na lista oficial de participantes.
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