Neymar chega à reta final antes da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 cercado de incertezas. Não dá para cravar que ele estará no grupo dos 26 escolhidos pelo técnico Carlo Ancelotti, muito menos que ficará de fora. Se, por um lado, o aumento da minutagem em campo ajuda, por […]
Neymar chega à reta final antes da convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 cercado de incertezas. Não dá para cravar que ele estará no grupo dos 26 escolhidos pelo técnico Carlo Ancelotti, muito menos que ficará de fora. Se, por um lado, o aumento da minutagem em campo ajuda, por outro, a questão física e as polêmicas recentes deixam pontos de interrogação em relação a como ele poderia contribuir.
Na atual temporada, Neymar disputou 14 jogos pelo Santos, marcou 6 gols e deu 4 assistências. O número, isolado, ajuda. Mas, no mesmo período, o Santos fez 30 jogos, e Neymar ficou fora de 16. Ou seja, nesta temporada, ele ficou de fora de mais da metade das partidas do Peixe. E dos jogos que participou, apenas 3 foram fora da Vila Belmiro.
Em 2025, o Santos teve 54 jogos oficiais na temporada. Neymar participou de 28. Sem ele, foram 26 partidas. O Lance! levantou que, com Neymar em campo, o Santos teve 55,9% de aproveitamento: 13 vitórias, 8 empates e 7 derrotas. Sem Neymar, o aproveitamento caiu para 29,5%: 5 vitórias, 8 empates e 13 derrotas.
As 16 partidas que Neymar ficou fora em 2026
| Data | Jogo | Competição | Motivo da Ausência |
| 10/01 | Santos x Novorizontino | Paulistão | Recuperação Cirurgia no Joelho |
| 14/01 | Palmeiras x Santos | Paulistão | Recuperação Cirurgia no Joelho |
| 18/01 | Guarani x Santos | Paulistão | Recuperação Cirurgia no Joelho |
| 22/01 | Santos x SCCP | Paulistão | Recuperação Cirurgia no Joelho |
| 25/01 | Santos x Bragantino | Paulistão | Recuperação Cirurgia no Joelho |
| 28/01 | Chape x Santos | Brasileirão | Recuperação Cirurgia no Joelho |
| 31/01 | São Paulo x Santos | Paulistão | Transição física |
| 04/02 | Santos x São Paulo | Brasileirão | Treinou, mas não foi relacionado |
| 08/02 | Noroeste x Santos | Paulistão | Cautela na transição física |
| 12/02 | Athletico x Santos | Brasileirão | Preservado por gramado sintético |
| 10/03 | Mirassol x Santos | Brasileirão | Controle de carga |
| 22/03 | Cruzeiro x Santos | Brasileirão | Controle de carga |
| 05/04 | Flamengo x Santos | Brasileirão | Suspenso |
| 08/04 | Deportivo Cuenca x Santos | Sul-Americana | Controle de carga |
| 25/04 | Bahia x Santos | Brasileirão | Preservado por desgaste muscular |
| 02/05 | Palmeiras x Santos | Brasileirão | Preservado por gramado sintético |
O começo de 2026 foi comprometido por uma cirurgia. Neymar passou por uma artroscopia no joelho esquerdo, em dezembro do ano anterior, para tratar uma lesão no menisco medial, e só voltou a jogar em fevereiro.
Depois do retorno, as ausências passaram a ter outro padrão: controle de carga, preservação física e cuidado com gramado sintético. Contra o Athletico-PR, por exemplo, ele já estava recuperado da artroscopia, mas foi preservado por causa do piso artificial da Arena da Baixada.
Contra o Mirassol, a ausência teve um peso maior. Ancelotti estava no estádio para acompanhar a partida, mas Neymar ficou fora em uma decisão conjunta entre Santos e estafe do jogador. O clube entendeu que a preservação ajudaria a evitar desgaste e possível lesão.
Contra o Cruzeiro, a justificativa voltou a ser controle de carga. Neymar ficou na academia e fez trabalho de fisioterapia enquanto o Santos se preparava para o jogo no Mineirão.
Contra o Bahia, Cuca confirmou a ausência depois de uma sequência de quatro jogos completos. O técnico disse que Neymar apresentava bons números de quilometragem e intensidade, mas que não havia tempo suficiente de recuperação antes do compromisso seguinte, contra o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana.
Contra o Palmeiras, no Allianz Parque, a justificativa voltou a ser o gramado sintético.
O histórico de lesões desde a Copa de 2022
O debate sobre Neymar não começa em 2026. Desde a Copa do Catar, o histórico físico virou o principal obstáculo.
Segundo dados do Transfermarkt, da lesão no tornozelo sofrida em novembro de 2022 até a recuperação da artroscopia no joelho em fevereiro de 2026, Neymar acumulou 817 dias fora, 12 registros de lesão, cirurgia ou recuperação física e 116 jogos perdidos, somando as temporadas 2022/23, 2023/24, 2024/25 e 2025/26.
Principais problemas no período: a lesão mais grave foi a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, em outubro de 2023, que deixou Neymar fora por 340 dias. Depois disso, vieram problemas musculares, lesões na coxa e a lesão no menisco no fim de 2025.
Esse histórico explica por que a comissão técnica da Seleção trata Neymar como um caso físico antes de tratá-lo como caso técnico.
O que Ancelotti já disse
Ancelotti foi claro em março, quando deixou Neymar fora da convocação para os amistosos contra França e Croácia. O técnico disse que Neymar poderia estar na Copa se chegasse a 100%, mas afirmou que, naquele momento, ele não estava nesse nível.
“É uma avaliação física. Não é uma avaliação técnica. Neymar com bola está muito bem.”
Em maio, o tom mudou, mas a condição continuou a mesma. Ancelotti disse à Reuters que a convocação de Neymar “depende apenas dele” e do que ele demonstrar em campo. Além disso, o treinador elogiou o impacto do jogador no vestiário e ambiente da seleção.
Polêmicas
Em abril, ele ficou fora contra o Flamengo por suspensão, após levar o terceiro cartão amarelo. O cartão veio no fim da vitória contra o Remo, depois de Neymar reclamar de uma falta e criticar o árbitro Savio Pereira Sampaio. Na saída de campo, o camisa 10 disse que o árbitro queria ser “a figura do jogo”.
Dias depois, no empate com o Recoleta pela Sul-Americana, Neymar discutiu com torcedores do Santos na Vila Belmiro. Depois, pediu desculpas e disse que não responderia mais aos ataques.
Também houve repercussão negativa quando Neymar ficou fora contra o Cruzeiro por controle de carga e, no mesmo período, explicou que havia jogado pôquer online em casa. Ele negou ter ido a um local físico para jogar e disse que aproveitou o tempo livre porque não viajou para a partida.
O episódio mais recente foi a discussão e a suposta agressão contra Robinho Jr. Fontes de dentro do CT santista afirmaram que Neymar se desentendeu com o filho do ex-jogador Robinho após uma dinâmica de x1 no treino. A história ganhou uma proporção ainda maior depois que o staff do garoto acionou a direção do Santos e cobrou providências. No fim, os dois jogadores disseram que tudo não passou de uma situação de momento e que estava tudo certo dentro do elenco.
Nenhum desses episódios, isoladamente, define uma convocação. Mas eles também não ajudam. Em vez de ter o nome citado pelo que fez em campo, ele volta a ver sua imagem associada a polêmicas fora dele.
O que pesa a favor
Neymar ainda produz. Em 2026, são 6 gols e 4 assistências em 14 jogos pelo Santos. Em quase todos, ele atuou por mais de 80 minutos, o que mostra evolução física em relação ao início do ano e dá argumento para quem defende sua presença na Copa do Mundo.
Em abril, ele completou quatro jogos seguidos como titular em 11 dias, sua maior sequência pelo Santos desde agosto de 2025. Além disso, o impacto coletivo também pesa: assim como em 2025, o aproveitamento do Santos com Neymar em campo em 2026 foi quase o dobro do desempenho sem ele: 51,3% contra 29,2%.
Outro ponto é a experiência. Dos 55 jogadores na pré-lista de Carlo Ancelotti, apenas 16 já disputaram uma Copa do Mundo. Desses, 10 estrearam no Catar, em 2022. Neymar e Thiago Silva são os únicos que foram titulares desde 2014. Em um elenco renovado, esse histórico pode ter peso em momentos de pressão.
E a pressão, no caso de Neymar, também pode ser argumento a favor. Com ele no grupo, parte dos holofotes sai de nomes como Vini Jr. e Raphinha e volta para o camisa 10. Neymar chama responsabilidade, atrai cobrança e pode ajudar a dividir o peso emocional e expectativa no ataque da Seleção.
Dentro de campo, ele ainda oferece recursos que o Brasil não tem de sobra. Bola parada, cobrança de falta, pênalti e a capacidade de achar passes decisivos. Além disso, sua presença muda a forma como o adversário se posiciona. Mesmo sem ser o Neymar do auge, ele ainda atrai marcação e pode abrir espaço para jogadores de velocidade.
Outro ponto é que toda Copa tem jogadores que pouco entram ou quase não entregam. A pergunta, então, é inevitável: se existe espaço para nomes de composição no elenco, por que não considerar Neymar como uma opção para momentos específicos?
O caso Neymar talvez seja daqueles em que todo mundo tem um pouco de razão. Quem defende tem argumentos. Quem critica também. No final, a responsabilidade de bater o martelo – e arcar com as consequências – é de Ancelotti.
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