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Da Jabulani à Trionda: como as bolas da Copa mudaram do drama em 2010 à era dos sensores

Desde 2010, a bola da Copa deixou de ser apenas símbolo visual do torneio e passou a concentrar tecnologia, identidade cultural e até dados usados pela arbitragem.

Foto: Creative Commons

A bola da Copa do Mundo sempre vira personagem. Às vezes, pelo design. Às vezes, pela polêmica. E, nos últimos anos, também pela tecnologia. Desde a Jabulani, em 2010, até a Trionda, bola oficial de 2026, a Adidas transformou cada edição em uma tentativa de melhorar estabilidade, velocidade, controle e conexão com o país-sede. Nesse […]

A bola da Copa do Mundo sempre vira personagem. Às vezes, pelo design. Às vezes, pela polêmica. E, nos últimos anos, também pela tecnologia.

Desde a Jabulani, em 2010, até a Trionda, bola oficial de 2026, a Adidas transformou cada edição em uma tentativa de melhorar estabilidade, velocidade, controle e conexão com o país-sede.

Nesse período, a evolução foi clara. A bola saiu de um modelo com discussão sobre trajetória e aerodinâmica, passou por designs mais estáveis e chegou à era da bola conectada, com sensores que ajudam o VAR e a tecnologia de impedimento semiautomático.

Jabulani e Brazuca: da bola mais discutida à resposta brasileira

A Jabulani, usada na Copa de 2010, na África do Sul, marcou época. O nome significa “celebrar” em isiZulu, uma das línguas oficiais do país.

A bola tinha oito painéis termicamente colados e uma textura chamada Grip n Groove, criada para melhorar a aerodinâmica. Também carregava 11 cores, em referência aos 11 jogadores de cada time, às 11 línguas oficiais da África do Sul e às comunidades do país.

Apesar da proposta tecnológica, a Jabulani ficou muito lembrada pela dificuldade de leitura em chutes e cruzamentos. Por isso, ela virou uma das bolas mais debatidas da história recente das Copas. Em termos simples, foi uma bola que chamou atenção não só pelo visual, mas pelo comportamento em campo.

Quatro anos depois, no Brasil, veio a Brazuca. Ela representou quase uma resposta à Jabulani. A bola da Copa de 2014 tinha seis painéis termicamente colados, estrutura mais estável e melhor sensação de controle.

O nome foi escolhido por voto popular e venceu opções como “Bossa Nova” e “Carnavalesca”, com 70% dos votos.

A Brazuca também foi a primeira bola de Copa com conta própria no Twitter. Segundo a Adidas, o perfil chegou a 2,76 milhões de seguidores e fez mais de 640 publicações durante a trajetória até o Mundial.

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Telstar 18 e Al Rihla: a Copa entra na era digital

Em 2018, na Rússia, a bola oficial foi a Telstar 18. O nome resgatou a clássica Telstar de 1970, primeira bola da Adidas em Copas e uma das imagens mais reconhecidas do futebol. A versão de 2018 trouxe um visual moderno, com os painéis pretos pixelados, e manteve a ideia de homenagem ao modelo original.

A Telstar 18 também trouxe uma novidade importante: um chip NFC integrado. Esse chip permitia que torcedores interagissem com a bola usando o celular. Não era uma tecnologia de arbitragem, mas marcou a entrada mais clara da bola da Copa no universo digital.

Na fase final da Copa de 2018, a Fifa apresentou a Telstar Mechta, uma versão especial para o mata-mata. “Mechta” significa “sonho” ou “ambição” em russo. A bola manteve a tecnologia NFC e ganhou uma identidade visual diferente para os jogos decisivos.

Em 2022, no Catar, a evolução foi ainda maior. A bola oficial foi a Al Rihla, expressão que significa “a jornada” em árabe. Segundo a Adidas, ela foi a primeira bola oficial de Copa com tecnologia conectada, capaz de enviar dados em tempo real para auxiliar decisões de arbitragem.

A Al Rihla também marcou outro avanço. Ela foi produzida com colas e tintas à base de água, o que a Adidas apresentou como um passo importante em sustentabilidade. Além disso, a marca descreveu a bola como a mais veloz em voo até então.

Na reta final do Mundial de 2022, a Adidas lançou a Al Hilm, usada nas semifinais, disputa de terceiro lugar e final. O nome significa “o sonho” em árabe e manteve a base tecnológica da Al Rihla, mas com cores inspiradas no Catar e na taça da Copa.

Trionda: a bola atual da Copa de 2026

A bola oficial da Copa do Mundo de 2026 é a Trionda. O nome mistura “tri”, em referência aos três países-sede, com “onda”, palavra que remete a movimento e energia. A Copa será disputada em Estados Unidos, México e Canadá, e a bola usa vermelho, verde e azul para homenagear os anfitriões.

A Trionda tem uma estrutura nova, com apenas quatro painéis termicamente colados, o menor número já usado em uma bola de Copa.

Segundo a Fifa, a ideia é melhorar a estabilidade em voo. O design também traz símbolos dos países-sede, como a folha de bordo canadense, a águia mexicana e estrelas associadas aos Estados Unidos.

Além do visual, a Trionda aprofunda a era da bola conectada. A Adidas afirma que ela registra cada toque e transmite o contato em até dois milissegundos, com apoio da tecnologia de bola conectada. Esse recurso deve ajudar árbitros em decisões de impedimento, toque de mão e lances revisados pelo VAR.

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