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As “maldições” que assombram favoritos na Copa do Mundo de 2026

Técnico estrangeiro, líder do ranking da Fifa, Bola de Ouro, Grupo F e até quem elimina o México carregam tabus curiosos na história dos Mundiais.

Foto: Rede Sociais

Copa do Mundo também vive de superstição. Nem toda “maldição” resiste a uma análise fria, mas algumas estatísticas são fortes demais para serem ignoradas. Em 2026, vários favoritos chegam ao Mundial tentando quebrar tabus históricos que atravessam décadas. Técnico estrangeiro nunca venceu uma Copa Esse é um dos tabus mais conhecidos da história do torneio. […]

Copa do Mundo também vive de superstição. Nem toda “maldição” resiste a uma análise fria, mas algumas estatísticas são fortes demais para serem ignoradas. Em 2026, vários favoritos chegam ao Mundial tentando quebrar tabus históricos que atravessam décadas.

Técnico estrangeiro nunca venceu uma Copa

Esse é um dos tabus mais conhecidos da história do torneio. Até hoje, todas as seleções campeãs do mundo foram comandadas por técnicos do próprio país.

A lista de campeões mostra nomes como Zagallo pelo Brasil, Beckenbauer pela Alemanha, Deschamps pela França, Scaloni pela Argentina e Del Bosque pela Espanha. Nenhum estrangeiro levantou a taça como treinador.

Em 2026, essa “maldição” ganha força porque três candidatos importantes têm técnicos estrangeiros. O Brasil chega com Carlo Ancelotti, italiano e primeiro treinador estrangeiro permanente da história da Seleção. A Inglaterra aposta no alemão Thomas Tuchel, enquanto Portugal segue com o espanhol Roberto Martínez.

Foto: Redes Sociais

O peso é enorme. Ancelotti talvez seja o maior técnico de clubes da geração. Tuchel já venceu Champions League. Martínez tem experiência internacional.

Mesmo assim, nenhum deles conseguiu ainda responder à pergunta central: dá para ganhar uma Copa sem que o treinador tenha a mesma identidade nacional do elenco?

A líder do ranking da Fifa também carrega tabu

Desde que o ranking da Fifa foi criado, em 1993, nenhuma seleção que chegou à Copa como número 1 do mundo conseguiu ser campeã naquele mesmo Mundial.

A Fifa explica que o ranking mede o desempenho das seleções por um modelo de pontuação, mas a história mostra que liderar essa lista antes da Copa não garante muita coisa.

  • Em 1994, a Alemanha era líder e caiu nas quartas.
  • Em 1998, o Brasil chegou como número 1 e perdeu a final.
  • Em 2002, a França caiu na fase de grupos.
  • Em 2006 e 2010, o Brasil também parou nas quartas.
  • Em 2014, a Espanha caiu na primeira fase.
  • Em 2018, a Alemanha repetiu o vexame.
  • Em 2022, o Brasil era líder e caiu para a Croácia nas quartas.

Para 2026, o alerta continua. A Fifa informou em junho que a Argentina retomou o primeiro lugar do ranking, à frente de Espanha e França.

Isso coloca os franceses diretamente na mira da estatística, embora o ranking possa mudar conforme novas atualizações oficiais.

A “maldição” da Bola de Ouro

A “maldição” da Bola de Ouro parte de um recorte específico: o jogador que chega à Copa como atual vencedor do prêmio quase nunca transforma esse status em título mundial.

O prêmio foi criado em 1956 pela France Football, e a lista oficial de vencedores mostra como muitos craques chegaram ao Mundial como melhores do mundo, mas ficaram pelo caminho.

CopaAtual Bola de Ouro antes do MundialSeleçãoO que aconteceu na Copa
1958Alfredo Di StéfanoEspanhaA Espanha não se classificou
1962Omar SívoriItáliaCaiu na fase de grupos
1966EusébioPortugalTerminou em 3º lugar
1970Gianni RiveraItáliaFoi vice-campeão para o Brasil
1974Johan CruyffHolandaFoi vice-campeão para a Alemanha Ocidental
1978Allan SimonsenDinamarcaA Dinamarca não se classificou
1982Karl-Heinz RummeniggeAlemanha OcidentalFoi vice-campeão para a Itália
1986Michel PlatiniFrançaTerminou em 3º lugar
1990Marco van BastenHolandaCaiu nas oitavas de final
1994Roberto BaggioItáliaFoi vice-campeão para o Brasil
1998RonaldoBrasilFoi vice-campeão para a França
2002Michael OwenInglaterraCaiu nas quartas de final
2006RonaldinhoBrasilCaiu nas quartas de final
2010Lionel MessiArgentinaCaiu nas quartas de final
2014Cristiano RonaldoPortugalCaiu na fase de grupos
2018Cristiano RonaldoPortugalCaiu nas oitavas de final
2022Karim BenzemaFrançaFoi cortado por lesão antes da estreia

Grupo F: desde 1982, ninguém dali foi campeão

Essa é uma das estatísticas mais curiosas. Desde 1982, quando a Copa passou a ter o Grupo F na primeira fase, nenhuma seleção que saiu desse grupo terminou campeã mundial.

  • O Brasil de Zico, Sócrates e Falcão esteve no Grupo F em 1982 e caiu no jogo histórico contra a Itália.
  • A Argentina caiu na primeira fase em 2002 no famoso “grupo da morte”.
  • O Brasil de 2006, com Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Adriano, também saiu do Grupo F e caiu nas quartas para a França.
  • A Itália de 2010, então campeã vigente, ficou pelo caminho ainda na fase de grupos.
  • Em 2014, a Argentina até chegou à final depois de sair do Grupo F, mas perdeu para a Alemanha.
  • Em 2018, foi a vez da Alemanha, campeã de 2014, cair na primeira fase em um grupo com Suécia, México e Coreia do Sul.
  • Em 2022, Bélgica, Croácia, Marrocos e Canadá formaram o Grupo F; Marrocos e Croácia fizeram campanhas fortes, mas o título ficou com a Argentina, que vinha do Grupo C.
  • A Fifa lista os campeões de 1982 a 2022, e nenhum deles veio do Grupo F.

Em 2026, o Grupo F tem Holanda, Japão, Suécia e Tunísia. A Holanda é o grande nome da chave e tenta algo inédito: ser campeã mundial pela primeira vez e, ao mesmo tempo, derrubar o tabu do grupo.

Quem elimina o México nunca levanta a taça

Essa é uma superstição que parece piada pronta, mas o histórico ajuda. O México tem longa tradição em Copas, mas nunca passou das quartas de final. A Fifa registra 1970 e 1986 como suas melhores campanhas, ambas terminando nessa fase.

A partir daí, surge a curiosidade: nenhuma seleção que eliminou o México no mata-mata acabou campeã daquela Copa.

  • Em 1970, a Itália eliminou o México e perdeu a final para o Brasil.
  • Em 1986, a Alemanha Ocidental eliminou os mexicanos e perdeu a decisão para a Argentina. Em 1994, a Bulgária tirou o México e terminou em quarto.
  • Em 1998, a Alemanha eliminou o México e caiu nas quartas. Em 2002, os Estados Unidos eliminaram o México e também pararam nas quartas.
  • Em 2006 e 2010, a Argentina tirou os mexicanos e caiu logo depois.
  • Em 2014, a Holanda eliminou o México e não foi campeã.
  • Em 2018, o Brasil venceu o México nas oitavas e caiu para a Bélgica nas quartas.

Em 2022, o México nem chegou ao mata-mata. Mas, em 2026, jogando uma Copa em casa, pode voltar a colocar essa “maldição” em circulação.

Quem enfrentar o México em jogo eliminatório talvez ganhe a partida. Mas a história diz que não deve ganhar a Copa.

Coincidência ou aviso para os favoritos?

Essas maldições não decidem jogo. Técnico estrangeiro não perde por causa do passaporte. O líder do ranking não cai por estar em primeiro. O Grupo F não tem força mística. E eliminar o México não tira futebol de ninguém.

Mas Copa do Mundo vive de detalhes, pressão e narrativa. Quando uma estatística se repete por décadas, ela vira parte do ambiente. E, em um torneio curto, ambiente importa.

No fim, toda Copa precisa de grandes times. Mas também precisa dessas histórias que fazem o torcedor olhar para a tabela e pensar: será que dessa vez a maldição cai?

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