Aymen Hussein não chega à Copa do Mundo apenas como o principal atacante do Iraque. Ele chega como a face mais forte de uma seleção que carrega a história recente de um país atravessado por guerra, deslocamento e reconstrução. Aos 30 anos, o atacante vive o maior momento da carreira. Foi dele o gol que […]
Aymen Hussein não chega à Copa do Mundo apenas como o principal atacante do Iraque. Ele chega como a face mais forte de uma seleção que carrega a história recente de um país atravessado por guerra, deslocamento e reconstrução.
Aos 30 anos, o atacante vive o maior momento da carreira. Foi dele o gol que levou o Iraque de volta ao Mundial depois de quatro décadas, em uma vitória histórica sobre a Bolívia na repescagem intercontinental. A classificação colocou o país novamente no palco mais importante do futebol, algo que não acontecia desde a Copa de 1986.
Mas a trajetória de Aymen vai muito além do gol. O jogador nasceu na província de Kirkuk, cresceu em meio à violência que marcou o Iraque após a invasão norte-americana de 2003 e viu a própria família ser atingida diretamente por grupos extremistas.
Uma vida marcada por perdas
A história pessoal de Aymen Hussein ajuda a explicar por que sua classificação à Copa ganhou um peso tão grande no Iraque. Ainda adolescente, ele perdeu o pai, um oficial do Exército iraquiano morto em um ataque atribuído à Al Qaeda.
Anos depois, a família voltou a ser atingida. O irmão mais velho de Aymen, que havia assumido parte da responsabilidade familiar após a morte do pai, foi sequestrado pelo Estado Islâmico. Desde então, seu paradeiro permanece desconhecido.
A violência também chegou à casa da família. Segundo relatos publicados pela imprensa internacional, a residência foi bombardeada e destruída em Kirkuk. Aymen cresceu carregando essas perdas enquanto tentava construir uma carreira em um país onde o futebol, muitas vezes, também precisou sobreviver ao caos.
O gol que devolveu o Iraque ao Mundial
O momento que mudou a carreira de Aymen veio contra a Bolívia, em Monterrey, no México. O Iraque disputava a repescagem em busca da última vaga para a Copa de 2026. Depois de uma campanha cheia de tensão, viagens desgastantes e pressão nacional, a seleção precisava de um herói.
O atacante marcou o gol decisivo da vitória por 2 a 1 e encerrou uma espera de 40 anos. Pela segunda vez na história, o Iraque disputaria uma Copa do Mundo. A primeira havia sido em 1986, também no México.
A classificação provocou festa nas ruas iraquianas. Para muitos torcedores, o gol não representou apenas um resultado esportivo. Representou a volta de um país ferido ao centro do futebol mundial.
O líder de uma seleção que aprendeu a resistir
Dentro de campo, Aymen Hussein é a principal referência ofensiva do Iraque. Forte fisicamente, perigoso dentro da área e decisivo em jogos grandes, ele se tornou o rosto de uma seleção que chega ao Mundial sem o favoritismo dos gigantes, mas com uma carga emocional enorme.
O Iraque está no Grupo I, ao lado de França, Senegal e Noruega. A chave é dura, mas a presença no torneio já tem valor histórico. Depois de décadas longe da Copa, a equipe volta ao Mundial com uma geração que cresceu ouvindo sobre guerra, instabilidade e frustração esportiva.

O técnico Graham Arnold construiu a campanha em cima de disciplina, confiança e espírito coletivo. Ainda assim, a figura de Aymen ocupa um lugar especial. Ele representa o jogador que enfrentou dor pessoal, cobrança pública e dificuldades estruturais antes de se tornar o nome mais simbólico da classificação.
Um sonho pessoal e nacional
Para Aymen Hussein, disputar a Copa significa cumprir um sonho de infância. Para o Iraque, significa recuperar um espaço que parecia distante demais.
A história do atacante toca o país porque não separa futebol e vida. Aymen não virou símbolo apenas por fazer gols. Virou símbolo porque sua trajetória se confunde com a de milhões de iraquianos que cresceram entre perdas, deslocamentos e tentativas de recomeço.
Agora, o camisa 18 chega ao Mundial com a missão de liderar o ataque iraquiano e dar ao país novos motivos para acreditar. A Copa pode durar pouco ou pode guardar uma surpresa. Mas, antes mesmo de a bola rolar, Aymen Hussein já carrega uma das histórias mais fortes do torneio.
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